Cargill suspende exportação de soja do Brasil para a China após mudança em inspeção
Mudança na fiscalização fitossanitária dificulta a emissão de certificados para embarques e preocupa exportadores,; informações da Reuters
As exportações brasileiras de soja para a China enfrentam um novo entrave. A Cargill suspendeu temporariamente os embarques ao país asiático após mudanças no sistema de inspeção fitossanitária adotado pelo governo brasileiro.
A informação foi confirmada pelo presidente da companhia no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, em entrevista à Reuters.
Segundo o executivo, o Ministério da Agricultura passou a aplicar um modelo mais rigoroso de fiscalização para cargas destinadas ao mercado chinês, após solicitação do próprio governo da China.
A mudança tem dificultado a emissão dos certificados fitossanitários necessários para o embarque da commodity.
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Sousa afirmou que o ministério deixou de utilizar o padrão de amostragem tradicional adotado pelo mercado e passou a realizar sua própria coleta para análise do grão, o que tem gerado divergências nos resultados.
“Isso está gerando discrepância... com essas discrepâncias, os certificados fitossanitários que acompanham a carga, que são emitidos pelo ministério, em alguns casos não estão sendo emitidos...”, disse.
Com o impasse, alguns navios que tinham a China como destino estão sendo redirecionados para outros mercados.
“Se não resolver logo, vai levar à paralisação dos embarques para a China”, afirmou Sousa, acrescentando que a companhia interrompeu as operações na última sexta-feira.
Impacto no mercado
Diante das dificuldades para embarcar soja ao principal comprador global da oleaginosa, a Cargill também suspendeu temporariamente a compra do produto no mercado brasileiro.
“Isso é um grande risco hoje para o fluxo de exportação brasileira de soja para a China”, afirmou o executivo.
Relatos publicados por corretores e produtores nas redes sociais indicaram redução nas ofertas de compra de soja ao longo da quarta-feira.
A China responde por cerca de 80% das exportações brasileiras de soja. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.

Negociações em andamento
De acordo com Sousa, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, discute o tema com representantes do setor exportador, incluindo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), em busca de um acordo sobre o modelo de amostragem e classificação da soja.
As novas inspeções começaram no início da semana passada e, até agora, não há solução para o impasse.
Em nota, a Anec afirmou que exportadores demonstram preocupação com a adaptação ao novo sistema, especialmente em um momento de pico nos embarques de soja do Brasil.
“De forma geral, a principal preocupação do setor segue sendo a soja e como a cadeia conseguirá se adequar às novas exigências no médio prazo. A Anec permanece em diálogo com o Mapa e acompanhando a evolução do tema junto às autoridades competentes”, informou a entidade.
O Ministério da Agricultura não respondeu ao pedido de comentário enviado pela Reuters até a noite de quarta-feira.








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