Contratos futuros do boi gordo estão “bombando”, destacam analistas da Agrifatto
“O mercado como um todo está ativamente buscando fazer hedge para se proteger das oscilações da arroba nos próximos meses”, observa a equipe de especialistas da consultoria
Entre o final de maio/26 e o encerramento de julho/26, o volume total de contratos futuros em aberto praticamente dobrou no mercado do boi gordo da B3, saltando de cerca de 32 mil para quase 61 mil, destacam os analistas da Agrifatto, consultoria que acompanha de perto as negociações no setor pecuário.
“Esse salto nos gráficos traduz uma mensagem: o mercado como um todo está ativamente buscando fazer hedge para se proteger das oscilações da arroba nos próximos meses”, diz a consultoria.
O vencimento de julho/26, por estar no seu ciclo final, apresenta uma queda acentuada em seus volumes, observam os analistas.
“Isso ocorre porque o preço do papel passa a convergir com o preço do mercado físico da arroba, levando os agentes a realizarem seus lucros e encerrarem posições”, explica a Agrifatto.
Seguindo uma lógica parecida de curto prazo, o contrato de agosto/26 começou a mostrar sinais de esgotamento e consolidação a partir do dia 24 de julho de 2026.
“O grande recado estratégico, no entanto, aponta para o pico do boi de confinamento”, analisa a consultoria, acrescentando que “o contrato de outubro/26 do boi gordo desponta como a grande estrela da B3 neste momento, assumindo a liderança isolada em liquidez e volume de negociações, o que lhe confere um espaço muito maior para valorização quando comparado com o papel de agosto/26”.
Esse otimismo, continua a Agrifatto, também leva consigo o interesse pelos meses de setembro/26 e novembro/26, enquanto posições mais distantes, como dezembro/26, ainda operam de forma muito tímida e pouca liquidez.
Os preços de hoje na tela da B3
Entre os contratos em negociação, agosto/26 encerrou a semana cotado a R$ 347,80/@, com alta de 0,81% em relação à sexta-feira anterior, enquanto setembro/26 fechou a R$ 348,35/@, com elevação de 0,62% na mesma base de comparação.
Nos vencimentos mais longos, houve uma realização pontual de lucros, observa a Agrifatto.
O contrato de outubro/26 recuou 0,31%, encerrando a sexta-feira (31/7) cotado a R$ 353,45/@, enquanto o papel de novembro/26 apresentou queda semanal de 0,78%, fechando a semana em R$ 355,65/@.

Bons prêmios para os investidores em bolsa
Apesar desse ajuste nos contratos de longo prazo, os ágios permanecem elevados em relação ao mercado físico, destaca a Agrifatto.
Pelas cotações atuais da B3, o mercado projeta o encerramento do ano com preços R$ 16,71/@ acima do indicador físico atual.
Para os vencimentos de curto prazo, os prêmios são mais modestos, com ágios de R$ 2,51/@ para agosto/26 e R$ 3,06/@ para setembro/26, indicando menor expectativa de valorização no horizonte imediato.
Na ponta do lápis
Ao longo da última semana de julho/26, o mercado futuro do boi gordo manteve o movimento de aumento no interesse dos participantes.
O número de contratos em aberto na B3 avançou 9,59%, alcançando 58.475 contratos, enquanto a média das cotações registrou alta de 0,84%, encerrando a semana em R$ 357,96/@, informa a Agrifatto.
“Em relação ao fluxo de negociações, o mercado segue predominantemente comprador, evidenciado pela entrada líquida de novos participantes na ponta compradora”, destaca a consultoria.
A principal exceção, dizem os analistas, foi o primeiro vencimento de 2027 (janeiro), que apresentou predominância de vendas, “comportamento que pode estar relacionado à sua ainda baixa liquidez”.
O contrato de outubro/26 permanece como o vencimento de maior liquidez da curva, concentrando 20.287 contratos em aberto, relata a Agrifatto.
“Mesmo diante da recente correção nos preços dos contratos mais longos, a continuidade da entrada de novos compradores sugere que parte do mercado tem aproveitado o aumento do ‘embarrigamento’ da curva para montar posições compradas”, observa a consultoria.












