Uso do arroz no etanol pode conter excedentes

A estratégia também pode evitar que grandes volumes sejam liberados de uma só vez

Uso do arroz no etanol pode conter excedentes
ilustrativa

A destinação de estoques públicos de arroz para a produção de etanol voltou ao debate internacional, diante dos possíveis impactos sobre oferta, custos e preços. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, a decisão da Índia pode estar menos ligada à eficiência energética e mais à necessidade de administrar grandes volumes armazenados pelo governo.

Embora o país busque ampliar a mistura de etanol aos combustíveis, o arroz não aparece como a matéria-prima mais competitiva. A cana-de-açúcar oferece maior produtividade e menor custo, enquanto o milho também gera coprodutos importantes para a alimentação animal e para a rentabilidade das usinas. Nesse cenário, o uso do cereal pode funcionar como alternativa para reduzir despesas de estocagem e dar destino econômico a lotes envelhecidos ou com menor valor comercial.

A estratégia também pode evitar que grandes volumes sejam liberados de uma só vez no mercado. Quando isso ocorre, a oferta cresce e as cotações internacionais tendem a recuar, pressionando produtores e países exportadores. Em alguns momentos, os preços chegaram a níveis próximos ou inferiores aos custos de produção em mercados relevantes.

A avaliação é que transformar parte dos excedentes em etanol pode ser mais eficiente do que liquidar os estoques e ampliar a pressão sobre os preços. Assim, o biocombustível talvez atue como ferramenta para reduzir custos, organizar a oferta e melhorar a gestão pública dos estoques.

 

Caso essa política avance, o mercado poderá acompanhar uma mudança importante na forma como o maior exportador mundial de arroz administra seus excedentes. Como as decisões indianas têm peso sobre o comércio global, qualquer alteração nessa estratégia tende a ser observada com atenção pelos demais participantes da cadeia.