Maior oferta de leite do Sul pressiona spot, enquanto mercado internacional e grãos avançam
Com o objetivo de atualizar os leitores sobre os principais movimentos do mercado lácteo, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, traz um panorama quinzenal com os acontecimentos mais relevantes de preços no setor.
Leilão GDT: com um leve avanço de 0,9% no GDT Price Index, o 411º leilão da Global Dairy Trade alcançou o preço médio de USD 3.910 por tonelada. O índice mantém as cotações em um patamar próximo da estabilidade, sucedendo a valorização mais expressiva registrada na rodada anterior e sinalizando um momento de maior acomodação das tarifas no comércio global. O volume comercializado atingiu 43.976 toneladas, o que representa um crescimento de 7,1% em relação ao leilão passado e uma alta de 6,1% perante a mesma época de 2025. Esse montante estabelece um novo recorde de volume transacionado no ano de 2026, ultrapassando os níveis verificados nos anos de 2024 e 2025.
Leite spot: No decorrer da primeira quinzena de setembro de 2026, o leite spot deu continuidade ao movimento de queda, apresentando desvalorização nos valores praticados em todas as regiões avaliadas. O indicador médio do país registrou depreciação e encerrou o intervalo cotado a R$ 2,928, o que equivale a uma diminuição de R$ 0,080 na comparação com os últimos quinze dias. Essa tendência de baixa segue o movimento de aumento da captação no Sul do país. O aumento do volume ofertado pelas praças sulistas intensificou a pressão baixista sobre as cotações no âmbito nacional, fragilizando a sustentação dos patamares de preço em todo o mercado.
Muçarela: as cotações da muçarela continuaram demonstrando um padrão de queda. O volume ofertado, que se mantém alto, restringe a firmeza dos valores e exerce pressão constante sobre o setor, impulsionando novas reduções nos preços no intuito de incentivar as comercializações e dinamizar a saída da mercadoria. As maiores quedas, de R$ 0,4, foram registradas em São Paulo (R$ 32,8), Goiás (R$ 34,6) e Paraná (R$ 32,6), seguidos por Minas Gerais que apresentou ajuste negativo de R$ 0,3 (R$ 34,8), Santa Catarina com redução de R$ 0,2 (R$ 32,3), Rio Grande do Sul com queda de R$0,1 (R$ 31,2) e Rio de Janeiro indicando estabilidade em relação ao período anterior (R$ 35,0).
Leite em pó: o segmento de leites em pó exibiu comportamentos divergentes ao longo dos primeiros sete dias de setembro. As cotações do leite em pó integral registraram queda, evidenciando uma comercialização mais desaquecida e em ritmo cadenciado, chegando a R$ 24,6 (-R$ 0,2) em São Paulo. Em contrapartida, o leite em pó fracionado preservou os valores estáveis, chegando a R$ 30,1 (-R$ 0,1) em São Paulo e R$ 30,1 (+R$ 0,2) no Nordeste. O leite em pó desnatado assinalou valorização, impulsionado por um consumo mais dinâmico durante o intervalo, chegando a R$ 22,7 (+R$ 0,4) em São Paulo.
Milho: com o final da segunda safra do milho, vários compradores estão segurando a quantidade oferecida para obter maiores ganhos na saca de milho. Embora as exportações tenham sido menos expressivas em agosto, setembro apresenta uma recuperação em relação ao volume menos movimentado. Assim, a saca teve um aumento de 3,8% em comparação com a quinzena anterior, com um preço médio de R$ 70,88 por saca.

Soja: assim como o milho, a soja também apresentou valorização no início de setembro em relação a agosto. A influência do fenômeno El Niño sobre as condições climáticas trouxe maior atenção ao mercado, contribuindo para movimentos positivos nas cotações. De forma geral, o cenário climático permanece como um fator de preocupação para as negociações futuras. Nesse contexto, a soja registrou alta de 4,0%, alcançando média de R$ 160,62 por saca.
Oferta: a oferta de leite no período atual permanece em patamares semelhantes aos observados anteriormente. Com a continuidade do crescimento da disponibilidade de matéria-prima, o mercado pode apresentar maior sensibilidade nas cotações.
Demanda: em um cenário semelhante ao observado na quinzena anterior, a demanda permanece em patamares estáveis, apresentando apenas pequenas oscilações nas movimentações. Ainda assim, os derivados demonstram menor sustentação nas cotações, resultando em novos recuos nos preços ao longo do período.












