Mais leite no mercado pressiona spot e muçarela, mas preços internacionais sobem
Com o objetivo de atualizar os leitores sobre os principais movimentos do mercado lácteo, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, traz um panorama quinzenal com os acontecimentos mais relevantes de preços no setor.
Leilão GDT: no 410º leilão Global Dairy Trade, o índice de preços da plataforma subiu 2,3%, atingindo o valor médio de USD 3.873 por tonelada. O resultado confirma a alta contínua dos preços internacionais dos lácteos após um período de pouca oscilação, mostrando uma reação positiva no ambiente de negócios. O volume total de vendas somou 41.054 toneladas, alta de 1,4% frente ao leilão passado, que já havia apresentado forte avanço na quantidade negociada. Esse valor estabelece um novo recorde para 2026, ultrapassando os níveis de 2024 e chegando perto das maiores marcas de 2025, registradas nos leilões de outubro, época de pico da produção na Oceania.
Leite spot: na segunda metade de agosto de 2026, os preços do leite spot caíram em todos os estados monitorados. A média do país encerrou a quinzena em R$ 3,008, o que significa uma queda de R$ 0,067 em relação à quinzena anterior. Além das questões de oferta, o setor perdeu força devido ao desempenho do consumo na ponta final. Reduções de preço nos principais derivados lácteos, sobretudo no leite UHT, ajudaram a pressionar as negociações no mercado spot.
Conseleite: os preços projetados pelos conselhos estaduais foram variados neste mês. Mato Grosso definiu um ajuste positivo de 3,4% no leite a ser pago em agosto, chegando a 2,7254 R$/l. O Paraná registrou um ajuste positivo mais leve, de 0,24% levando o valor do leite padrão a ser pago em setembro a 2,6179 R$/l. Minas Gerais indica uma projeção com aumento de 1,2% no leite que será pago em setembro, ficando em 2,9299 R$/l. Citando aumento da oferta de leite, o Rio Grande do Sul registrou leve um ajuste de -1,01%, com valor de referência de 2,4754 R$/l.
Muçarela: o mercado de muçarela registrou reduções nas cotações após um período de maior estabilidade. O aumento no volume ofertado frente a uma demanda estagnada minou a sustentação dos preços, pressionando os valores para baixo na maioria dos locais acompanhados. A maior desvalorização foi observada no Rio de Janeiro, com -R$ 0,6 (R$ 35,6), seguido por São Paulo, que apontou retração de -R$ 0,5 (R$ 33,7). Na contramão do movimento geral, a Região Centro-Oeste e parte do Sudeste mantiveram fôlego positivo: Goiás registrou a maior alta semanal, com +R$ 0,4 (R$ 35,7), e Minas Gerais teve avanço de +R$ 0,3 (R$ 35,7). No Sul, o Paraná apresentou -R$ 0,2 (R$ 33,6), enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram os menores ajustes negativos do período, ambos com queda de R$ 0,1 (R$ 33,1 e R$ 32,1, respectivamente).
Leite em pó: o setor de leite em pó registrou altas em suas cotações. Com a procura um pouco mais aquecida e um ambiente de negócios mais firme, os valores ganharam maior sustentação, apresentando uma leve valorização no período. O leite em pó integral obteve um aumento de R$0,1, chegando a R$24,4 em São Paulo. Com um ajuste maior, o leite em pó desnatado recebeu uma valorização de R$0,3 e chegou a R$22,3 em São Paulo. No segmento do leite em pó fracionado, São Paulo chegou a R$30,2 com um ajuste positivo de R$0,1 e o Nordeste a R$30,2 com valorização de R$0,3.
Milho: nesta quinzena, o mercado de milho apresentou tendência de alta nas cotações. Os valores futuros exerceram pressão positiva sobre os preços, enquanto a oferta elevada limitou uma valorização mais expressiva. Com isso, a média da saca ficou em R$67,90/saca, registrando alta de 3,7% em relação à quinzena anterior.
Soja: alinhado ao movimento observado no milho, o mercado de soja também apresentou valorização na segunda quinzena de agosto. A demanda mais firme, combinada à valorização no mercado internacional, contribuiu para sustentar as cotações, que registraram alta de 5,3%, alcançando R$ 153,18 por saca.

Oferta: a oferta de leite seguiu o movimento sazonal da produção, mantendo trajetória de crescimento na região Sul e ampliando a disponibilidade de matéria-prima no mercado. Ainda assim, os volumes permanecem em patamares semelhantes aos observados no mesmo período do ano anterior.
Demanda: o cenário de demanda permanece estável, com o consumo na ponta indicando aumento nas movimentações. Apesar disso, os derivados seguem apresentando retrações nas cotações, sinalizando um mercado com menor sustentação dos preços em relação aos períodos anteriores.












