Nova Dehli e Roma colocam o Feijão do Brasil em outro nível no comércio global

Na Índia, as reuniões concentraram-se na etapa final para abertura do mercado de Pigeon pea (Feijão Guandu) ao Brasil.

Nova Dehli e Roma colocam o Feijão do Brasil em outro nível no comércio global
Ilustrativa

Na última semana, o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (IBRAFE), Marcelo Eduardo Lüders, cumpriu duas agendas internacionais estratégicas, na Índia e em Roma, com foco na abertura de mercados, segurança alimentar e posicionamento do Feijão brasileiro como produto sustentável e competitivo no comércio mundial.

Segundo o IBRAFE, essas agendas colocam o Feijão do Brasil em outro nível, porque combinam acesso a grandes compradores, narrativa ambiental forte e diferenciais tecnológicos que poucos países conseguem entregar de forma consistente.

Índia: Avanço na abertura do mercado de Guandu e busca por previsibilidade

Na Índia, as reuniões concentraram-se na etapa final para abertura do mercado de Pigeon pea (Feijão Guandu) ao Brasil.

De acordo com Lüders, a fase técnica entre os ministérios já está alinhada, restando agora a negociação formal entre os governos para definição das contrapartidas comerciais. O modelo segue a lógica de reciprocidade, definindo o que o Brasil pode abrir em troca do acesso efetivo para os produtores brasileiros.

A Índia é o maior consumidor mundial de pulses. Para o Brasil, mercados como o de Black gram (black matpe) e Guandu representam oportunidades estratégicas, especialmente porque são Feijões que não fazem parte do consumo tradicional brasileiro. Assim, a exportação não compete com o abastecimento interno, mas fortalece a cadeia produtiva, amplia escala e melhora a estabilidade do setor.

Outro ponto defendido nas reuniões foi a necessidade de previsibilidade. O Brasil planta em fevereiro e, em algumas regiões, até maio ou junho. A proposta apresentada foi que haja sinalização oficial até novembro de cada ano sobre a demanda indiana para o ciclo seguinte, reduzindo riscos de superprodução e aumentando eficiência de planejamento, crédito e logística.

Roma: Brasil no centro do debate global sobre segurança alimentar e sustentabilidade

Em Roma, Lüders esteve na sede da Food and Agriculture Organization (FAO), órgão das Nações Unidas responsável por políticas globais de alimentação e agricultura.

A agenda teve como objetivo consolidar o novo posicionamento do Brasil como exportador estruturado de Feijões. Historicamente, o país não figurava como fornecedor estratégico no radar internacional. A proposta apresentada foi clara: o Brasil é hoje uma potência crescente em pulses, com diversidade produtiva, incluindo Feijão-preto, carioca, branco, mungo, caupi e Guandu, além de capacidade tecnológica e regularidade de oferta.

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Durante os encontros, foi destacado um diferencial competitivo relevante. O Feijão brasileiro apresenta, em média, 50% mais sustentabilidade em comparação com outras origens globais. Esse diferencial é sustentado por eficiência produtiva, fixação biológica de nitrogênio, menor dependência de fertilizantes nitrogenados e menor pegada de carbono por tonelada produzida.

O IBRAFE também destacou que o Brasil tem avançado em tecnologias que elevam o padrão ambiental e operacional da produção e do pós-colheita. Entre os exemplos citados estão soluções de amadurecimento e uniformização de grãos desenvolvidas pela Síntese, que permitem conduzir a colheita com maior previsibilidade e qualidade, dispensando o uso de glifosato e glufosinato como prática para dessecação.

Divulgação precisa ser massiva desde o Brasil

Para o IBRAFE, a combinação de abertura de mercados, sustentabilidade superior e tecnologia aplicada cria um ativo de reputação. A avaliação é que a divulgação desse diferencial precisa ser massiva a partir do Brasil, com comunicação consistente para importadores, indústria, varejo, governos e opinião pública, ampliando o reconhecimento internacional do Feijão brasileiro e valorizando quem produz.

Estratégia integrada

As agendas na Índia e em Roma convergem em um eixo estratégico. Ampliar mercados externos para classes de Feijão não consumidas no Brasil, fortalecer a renda do produtor e, ao mesmo tempo, garantir estabilidade para o consumo interno.

O movimento combina diplomacia comercial, posicionamento institucional e defesa da segurança alimentar no Brasil e no mundo, elevando o Feijão do Brasil a um novo patamar de competitividade e imagem global. Clique aqui e acompanhe o Agronews.

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