Identificação precoce ajuda a conter ferrugem marrom na cana-de-açúcar
Sintomas iniciais ajudam no controle da ferrugem
Foto: Pixabay
A ferrugem marrom, causada pelo fungo Puccinia melanocephala, está entre as principais doenças foliares da cana-de-açúcar e pode reduzir a produtividade e o Açúcar Total Recuperável (ATR) quando não é identificada nas fases iniciais. Em regiões produtoras como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, onde há períodos de alta umidade e temperaturas amenas, o monitoramento visual das folhas é apontado como decisivo para detectar as primeiras pústulas antes que a doença provoque desfolha intensa.
Entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, os canaviais estarão em diferentes estágios de desenvolvimento, incluindo cana-planta e socas de cortes distintos, sob condições climáticas variadas. Segundo o material, compreender como a ferrugem marrom surge, onde aparecem os primeiros sintomas e como diferenciá-la de outras manchas foliares é o primeiro passo para um manejo fitossanitário eficiente, aliado à escolha de variedades e ao uso criterioso de fungicidas.
Nos primeiros estágios, a doença se manifesta por pequenas pústulas alongadas, inicialmente amareladas ou alaranjadas, que posteriormente adquirem coloração marrom-ferrugem. As estruturas aparecem, em geral, na face superior das folhas e liberam um pó fino de esporos que pode ser percebido ao toque. As primeiras infecções costumam ocorrer em folhas do terço médio das plantas, especialmente em variedades suscetíveis após períodos de orvalho intenso ou chuvas intermitentes. O texto destaca que o monitoramento deve ser feito por caminhamento em "Z" ou "W" nos talhões, avaliando sistematicamente folhas sintomáticas e diferenciando a doença de outras enfermidades, como ferrugem alaranjada, escaldadura, mancha parda e ramulária.
A identificação precoce é considerada fundamental porque a ferrugem marrom reduz a área fotossintética, acelera a senescência das folhas e compromete diretamente o acúmulo de sacarose nos colmos. Em variedades suscetíveis, a desfolha pode ser intensa, afetando tanto a produtividade quanto o ATR. Conforme o conteúdo, "a ênfase em sintomas iniciais e em rotinas de inspeção é fundamental para o manejo integrado".
O documento explica que a ferrugem marrom é provocada pelo fungo biotrófico Puccinia melanocephala, especializado em infectar tecidos vivos da cana. O ciclo começa com a deposição de esporos nas folhas, seguida pela germinação em condições de elevada umidade e temperaturas favoráveis. Após penetrar pelos estômatos, o fungo passa por um período de colonização silenciosa até o surgimento das primeiras pústulas, que liberam novos esporos e reiniciam o processo de disseminação.
Os sintomas iniciais exigem observação cuidadosa. As primeiras pústulas surgem normalmente na face superior das folhas, entre as nervuras, em estruturas pequenas, alongadas e levemente salientes ao tato. Inicialmente claras, tornam-se marrom-ferrugem com o avanço da infecção e costumam apresentar um halo amarelado ao redor. Uma característica importante é a liberação do pó ferrugem ao esfregar levemente a lesão com os dedos. Em plantas jovens, os sintomas tendem a aparecer primeiro nas folhas mais velhas, expostas ao inóculo transportado pelo vento.
A diferenciação em relação a outras doenças é outro ponto destacado. Enquanto a ferrugem marrom apresenta pústulas salientes que liberam pó escuro, a ferrugem alaranjada produz pústulas de coloração mais viva e pó alaranjado. Já doenças como mancha parda provocam lesões planas e secas, sem liberação de esporos ao toque. Danos provocados por fitotoxicidade ou estresse térmico também costumam apresentar distribuição mais uniforme e ausência de pústulas.

O monitoramento deve ser intensificado durante o período chuvoso, principalmente em variedades suscetíveis e áreas com histórico da doença. Talhões com maior densidade de plantas e maior retenção de umidade também merecem atenção especial. Mesmo durante os meses mais secos, o texto recomenda manter inspeções periódicas, ainda que em menor frequência, para acompanhar possíveis focos remanescentes.
O procedimento sugerido começa pela definição dos pontos de amostragem em diferentes partes do talhão, incluindo bordaduras e áreas mais úmidas. Em seguida, deve-se selecionar plantas representativas e observar principalmente as folhas do terço médio, procurando pequenas pústulas em relevo, utilizando lupa quando necessário. As informações sobre incidência devem ser registradas para subsidiar futuras decisões técnicas, sempre considerando o comportamento das variedades cultivadas.
Caso a doença não seja identificada no início, os impactos podem incluir redução da área foliar funcional, diminuição da produtividade dos colmos, queda do ATR e maior necessidade de intervenções corretivas. O documento alerta que controles químicos realizados apenas em fases avançadas tendem a apresentar menor eficiência e custos mais elevados.
Segundo o material, a identificação precoce permite que o produtor, em conjunto com o engenheiro agrônomo, avalie diferentes estratégias de manejo integrado. Entre elas estão a escolha de variedades mais resistentes, ajustes no manejo cultural para reduzir períodos de molhamento foliar e a análise da necessidade de controle químico. O texto ressalta que "a decisão de aplicar ou não fungicida é técnica e depende de múltiplos fatores", devendo ser tomada por profissional habilitado.
Como orientação prática, o documento recomenda observar regularmente folhas do terço médio, identificar pústulas pequenas em relevo, confirmar a presença do pó ferrugem ao toque, diferenciar a doença de outras manchas, registrar os primeiros focos e intensificar as inspeções durante períodos úmidos e com temperaturas amenas.
As orientações reforçam ainda que o monitoramento faz parte de um programa de manejo fitossanitário mais amplo, que pode incluir fungicidas. Nesses casos, devem ser seguidas rigorosamente as recomendações de rótulo e bula, o receituário agronômico, o uso de equipamentos de proteção individual e os períodos de reentrada e segurança previstos para cada produto.
Antes das inspeções, o produtor deve definir os talhões prioritários, planejar o percurso de avaliação, concentrar a observação nas folhas do terço médio, utilizar o teste do "pó ferrugem no dedo", registrar local, variedade e intensidade dos sintomas e compartilhar essas informações com o engenheiro agrônomo responsável para orientar o manejo integrado. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.













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