Aliança Agrícola tem recuperação judicial aprovada pela Justiça

Decisão suspende cobranças por 180 dias, enquanto empresa tenta reorganizar dívidas bilionárias em meio à crise no mercado de soja

Aliança Agrícola tem recuperação judicial aprovada pela Justiça
Ilustrativa

A Aliança Agrícola do Cerrado, trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo, teve o pedido de processamento de recuperação judicial aprovado pela 10ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia (MG).

A decisão suspende por 180 dias as ações e execuções contra a companhia, além de impedir atos de penhora sobre bens incluídos no processo.

A empresa busca reorganizar dívidas que superam R$ 1 bilhão junto a aproximadamente mil credores. Entre os principais estão Banco do Brasil, Ecoagro Participações, Macquarie Bank, Santander e XP Investimentos.

A decisão judicial também estabelece prazo de 60 dias para a apresentação do plano de recuperação, que deve detalhar as condições de pagamento e reestruturação dos negócios.

O pedido ocorre após um cenário considerado adverso pela companhia.

Em nota, a empresa afirma que a “queda nos preços da soja, a elevada volatilidade no mercado de trading e o aumento relevante dos custos financeiros impactaram severamente a liquidez e a capacidade de serviço da dívida da companhia”. 

Ainda segundo a empresa, “a medida judicial cria as condições para a condução organizada da reestruturação de suas obrigações e para a construção de uma estrutura sustentável de longo prazo.”

A recuperação judicial ocorre após uma tentativa frustrada no início do ano. O pedido havia sido negado inicialmente pela mesma juíza, que questionou a capacidade de reerguimento da empresa. Posteriormente, a companhia recorreu e obteve tutela antecipada para suspender execuções, bloqueios e penhoras, abrindo caminho para a decisão atual.

Estrutura e operação

A Aliança Agrícola conta com cerca de 200 colaboradores, sede em Uberlândia (MG) e unidades industriais em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS). No processo de recuperação, também foram incluídas as empresas ATAC Logística e Aliagro Trading, que integram o mesmo grupo.

Como parte da estratégia de reestruturação, a companhia firmou um contrato de industrialização (tolling) de soja com a ADM do Brasil, iniciado em 16 de março de 2026. A operação prevê a utilização de até 80% da capacidade das plantas industriais, com geração de caixa para sustentar as atividades e preservar empregos.

A expectativa é que o acordo contribua para uma receita líquida próxima de R$ 140 milhões, reduzindo a exposição à volatilidade do mercado de soja.

O grupo é representado pelo escritório Attie, Brito e Bastos Advogados Associados e conta com assessoria financeira para estruturar o plano de recuperação. A estratégia prevê diálogo com credores para definição de um modelo de pagamento.

Segundo a companhia, “o objetivo agora é construir um diálogo transparente que permita a elaboração de um plano equilibrado, com previsão de submissão em até 60 dias”.