Cota da China perto do limite amplia pressão sobre mercado do boi gordo
A expectativa de redução temporária das compras chinesas leva frigoríficos a pressionarem os preços da arroba
O mercado físico do boi gordo voltou a registrar pressão sobre as cotações da arroba ao longo da semana, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelos frigoríficos para compor suas escalas de abate.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a indústria segue testando patamares mais baixos de preços em meio à proximidade do esgotamento antecipado da cota destinada pela China para as compras de carne bovina brasileira em 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas.
“Essa cota está para ser preenchida entre os meses de junho e julho, o que deve fazer com que o Brasil passe a contar com uma ausência parcial e temporária do principal mercado para a carne bovina brasileira”, avalia.
De acordo com Iglesias, diante de um cenário mais desafiador para a demanda externa, a tendência é que os frigoríficos ajustem o ritmo de produção.
A estratégia passa pela redução do número de animais abatidos diariamente, aumento da capacidade ociosa das plantas e diminuição dos turnos de abate, buscando adequação à nova realidade de mercado.
Cotações do boi gordo
Os preços do boi gordo na modalidade a prazo apresentaram queda na maior parte das praças acompanhadas por Safras & Mercado em 18 de junho:
São Paulo (Capital) – R$ 350,00 a arroba, baixa de 1,41% frente aos R$ 355,00 registrados no final da semana passada.
Goiás (Goiânia) – R$ 325,00 a arroba, recuo de 4,41% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana anterior.
Minas Gerais (Uberaba) – R$ 325,00 a arroba, retração de 1,52% frente aos R$ 330,00 praticados no fechamento da semana passada.
Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 345,00 a arroba, queda de 2,82% ante os R$ 345,00 registrados no encerramento da última semana.
Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 350,00 a arroba, decréscimo de 2,78% perante os R$ 360,00 praticados no fechamento da semana anterior.
Rondônia (Vilhena) – R$ 335,00 a arroba, declínio de 2,90% em relação aos R$ 345,00 registrados no encerramento da semana anterior.

Atacado segue estável
No mercado atacadista, as cotações permaneceram estáveis ao longo da semana. Ainda assim, Iglesias avalia que há expectativa de recuperação dos preços nos próximos dias, impulsionada pelos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo.
Por outro lado, a competitividade da carne bovina continua limitada diante de proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, fator que restringe movimentos mais expressivos de valorização.
O quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,70 por quilo, mantendo o mesmo patamar da semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino permaneceram cotados a R$ 27,00 por quilo, também sem alterações no período.
Exportações avançam em junho
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 850,786 milhões nos primeiros nove dias úteis de junho, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No período, o volume embarcado alcançou 129,685 mil toneladas, com média diária de 14,409 mil toneladas. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6.560,40.
Na comparação com junho de 2025, o desempenho mostra forte avanço. O valor médio diário das exportações cresceu 44,0%, enquanto o volume médio diário embarcado aumentou 19,6%. Já o preço médio da tonelada registrou alta de 20,4%, reforçando o cenário positivo para as vendas externas da proteína brasileira.













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