Algodão em Mato Grosso sobe enquanto paridade e frete testam margens

A pluma disponível avançou nas praças acompanhadas pelo IMEA, mas a distância em relação à paridade de exportação e a alta do frete colocam a formação de margem no centro da leitura do mercado.

Algodão em Mato Grosso sobe enquanto paridade e frete testam margens
Ilustrativa

O preço subiu, mas a conta ainda pede cautela. Em Mato Grosso, a pluma disponível ganhou fôlego no início de junho, enquanto a paridade de exportação ficou abaixo da média interna e os fretes para portos seguiram pressionando a composição dos negócios.

A média estadual da pluma disponível chegou a R$ 133,05 por arroba em 1º de junho, avanço de 0,95 por cento. A alta apareceu em todas as 13 praças monitoradas, com valores acima de R$ 135 por arroba em Alto Garças e Rondonópolis, e cotações menores em Sapezal, Sorriso e Campo Novo do Parecis.

algodão

Fardos de algodão beneficiado prontos para transporte em Mato Grosso

Praça Preço (R$/@) Variação
Mato Grosso R$ 133,05 mais 0,95 por cento
Alto Garças R$ 135,84 mais 1,05 por cento
Campo Novo do Parecis R$ 132,61 mais 0,89 por cento
Campo Verde R$ 134,42 mais 1,14 por cento
Cuiabá R$ 134,08 mais 1,16 por cento
Diamantino R$ 133,45 mais 0,89 por cento
Itiquira R$ 134,63 mais 1,09 por cento
Lucas do Rio Verde R$ 132,81 mais 0,93 por cento
Nova Mutum R$ 133,22 mais 0,93 por cento
Primavera do Leste R$ 134,54 mais 1,10 por cento
Rondonópolis R$ 135,13 mais 1,08 por cento
Sapezal R$ 132,29 mais 0,90 por cento
Sorriso R$ 132,53 mais 0,93 por cento

Pluma disponível avança nas 13 praças do IMEA

A leitura regional mostra um movimento amplo, sem queda nas praças acompanhadas. Cuiabá teve a maior variação percentual, com alta de 1,16 por cento, seguida por Campo Verde, Primavera do Leste e Itiquira. Na ponta dos preços, Alto Garças registrou R$ 135,84 por arroba, enquanto Rondonópolis marcou R$ 135,13 por arroba.

As praças do médio norte ficaram abaixo da média estadual, mas também registraram alta. Sorriso chegou a R$ 132,53 por arroba, Lucas do Rio Verde a R$ 132,81 por arroba e Nova Mutum a R$ 133,22 por arroba. Sapezal teve o menor valor informado, com R$ 132,29 por arroba, ainda com avanço de 0,90 por cento.

O quadro indica sustentação do preço interno no mercado disponível, com ganhos distribuídos entre regiões produtoras e de comercialização. Para compradores e vendedores, a diferença entre praças segue relevante na negociação, principalmente quando entra no cálculo o custo de retirada, beneficiamento, armazenagem e deslocamento até o destino final.

Paridade e frete indicam atenção à margem

A paridade de exportação média de Mato Grosso foi estimada em R$ 124,49 por arroba em 29 de maio, alta de 0,63 por cento. O número ficou cerca de R$ 8,56 por arroba abaixo da média da pluma disponível informada em 1º de junho, diferença que coloca a margem no centro da decisão comercial.

Entre as referências de paridade, Sorriso teve o menor valor, com R$ 123,96 por arroba, e Alto Garças teve o maior, com R$ 126,73 por arroba. Esse intervalo ajuda a explicar por que a venda física exige leitura combinada entre preço interno, câmbio, prêmio, logística e prazo de entrega.

O frete também elevou a pressão sobre as contas. Na rota Sorriso a Santos, o valor chegou a R$ 598,75 por tonelada, alta de 0,03 por cento. De Sapezal a Santos, a referência foi de R$ 615,00 por tonelada, com avanço de 0,53 por cento. No corredor para Paranaguá, Campo Verde marcou R$ 464,17 por tonelada, alta de 3,42 por cento, e Campo Novo do Parecis ficou em R$ 582,75 por tonelada, aumento de 0,79 por cento.

Nos subprodutos, o caroço foi cotado a R$ 929,50 por tonelada, a torta a R$ 916,63 por tonelada e o óleo a R$ 5.354,75 por tonelada em 28 de maio. As variações foram positivas, mas moderadas, com alta de 0,41 por cento no caroço, 0,97 por cento na torta e 0,04 por cento no óleo.

O mercado, portanto, trabalha com uma pluma interna mais firme, paridade menor que a referência disponível e frete em elevação em rotas relevantes. A combinação não elimina negócios, mas exige apuração precisa da margem antes da fixação de preço e da escolha do destino.

Agronews