Soja reage em Chicago e preços voltam a R$ 116 no RS
A soja encerrou a semana com recuperação
A soja encerrou a semana com recuperação em Chicago e leve melhora no mercado brasileiro, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA. O movimento ocorreu entre 19 e 25 de junho de 2026, influenciado por sinais de retomada das compras chinesas nos Estados Unidos, câmbio mais favorável no Brasil e atenção crescente ao possível retorno do El Niño.
O primeiro mês cotado para a soja na Bolsa de Chicago perdeu força nos primeiros dias da semana, chegando a US$ 11,08 por bushel no dia 24 de junho. No dia seguinte, porém, houve forte recuperação, com fechamento a US$ 11,27 por bushel, acima dos US$ 11,22 registrados uma semana antes, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, o anúncio das estatísticas de exportação dos Estados Unidos permitiu ao mercado especular que a China estaria voltando a comprar soja norte-americana a partir dos acordos estabelecidos em maio. Esse cenário animou as cotações, ainda que momentaneamente. O boletim também observa que o conflito no Oriente Médio parece ter entrado em uma trégua, embora ainda não seja possível afirmar que o litígio bélico caminhe para o encerramento.
Na semana encerrada em 18 de junho, os Estados Unidos embarcaram 241.045 toneladas de soja, volume abaixo do esperado pelo mercado. Com isso, as vendas no atual ano comercial chegaram a 36,8 milhões de toneladas, ficando 19% menores do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
Apesar da reação pontual, os operadores do mercado internacional consideram que a tendência para os preços da oleaginosa em 2026/27 é baixista, diante da perspectiva de safra recorde no Brasil e de uma safra melhor nos Estados Unidos, onde o clima, até o momento, transcorre normalmente. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, apenas problemas climáticos nas lavouras poderiam puxar as cotações para cima em Chicago. Nesse contexto, o possível retorno do fenômeno El Niño passa a exigir atenção do mercado.
No Brasil, o câmbio, que chegou a R$ 5,18 por dólar durante a semana, ajudou os preços a melhorarem um pouco, mesmo com Chicago operando, na média, em patamar mais baixo. As principais praças do Rio Grande do Sul voltaram a indicar R$ 116,00 por saco, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 105,00 e R$ 116,00 por saco, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
Uma nova estimativa privada para a área a ser semeada com soja no Brasil em 2026/27 aponta 49 milhões de hectares, com aumento de 443 mil hectares sobre o ciclo anterior. Se confirmada, a área avançará 0,9% em relação à última semeadura. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, com base na AgRural, esse comportamento estaria ligado a margens mais apertadas, alta dos custos de produção, preços relativamente estáveis, aumento do endividamento, crédito mais escasso e caro, além da preocupação com o El Niño, que pode atrasar o plantio e prejudicar a produtividade em alguns estados.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais atualizou as estatísticas do complexo soja. O esmagamento da oleaginosa no Brasil deve chegar a 63 milhões de toneladas em 2026, com produção de 48,1 milhões de toneladas de farelo e 12,6 milhões de toneladas de óleo. A produção total de soja está estimada em 180,2 milhões de toneladas, conforme dados da Conab citados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA. As exportações brasileiras de soja em grão estão projetadas em 114,1 milhões de toneladas, enquanto as vendas externas de farelo devem atingir 24,9 milhões de toneladas e as de óleo de soja, 1,65 milhão de toneladas.
Em valores, o complexo soja deve gerar cerca de US$ 60 bilhões em exportações em 2026. Nos quatro primeiros meses do ano, o esmagamento no país chegou a 18,1 milhões de toneladas, aumento de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA. No Mato Grosso, a futura produção de soja deve alcançar 48,9 milhões de toneladas, volume 5,2% menor que o de 2025/26, conforme o Imea, também citado pela CEEMA. O resultado, no entanto, dependerá dos efeitos climáticos associados ao El Niño.













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