Queda da oferta global amplia liderança do Brasil na soja em 2026
Com menor disponibilidade nos Estados Unidos e na Argentina, cenário reforça protagonismo brasileiro no comércio internacional da oleaginosa, segundo análise do Cepea
O Brasil caminha para registrar nova safra recorde de soja em 2026, em um contexto de menor oferta global, puxado pela redução da produção nos Estados Unidos e na Argentina.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse cenário tende a ampliar o protagonismo brasileiro no comércio internacional, com o País podendo responder por cerca de 60% do abastecimento da demanda mundial da oleaginosa.
Estimativas indicam que, enquanto a produção brasileira avança, a oferta global deve diminuir, resultado, sobretudo, da menor disponibilidade nos dois principais concorrentes do Brasil no mercado internacional.
Diante dessa conjuntura, os preços externos e as negociações para embarques nos portos brasileiros no primeiro semestre de 2026 já sinalizam recuperação.
Parte da valorização esperada no mercado internacional está associada ao acordo comercial entre China e Estados Unidos, no qual o governo asiático se comprometeu a intensificar as importações de soja norte-americana entre 2026 e 2028.
Ainda assim, pesquisadores do Cepea apontam que a demanda chinesa pela soja brasileira deve permanecer elevada, sustentando os prêmios de exportação.

Outro fator considerado central na formação dos preços internos é a taxa de câmbio.
No cenário internacional, o dólar tende a ser pressionado pela redução da taxa básica de juros nos Estados Unidos, após o Federal Reserve cortar os juros em 0,25 ponto percentual, levando o intervalo para 3,5% a 3,75% ao ano.
Por outro lado, a recuperação dos preços no Brasil e nos Estados Unidos pode encontrar limites na maior competitividade da Argentina, destacam os pesquisadores.
O governo do país vizinho anunciou novas reduções das retenciones, com a alíquota sobre o grão recuando de 26% para 24%, enquanto as tarifas sobre farelo e óleo passaram de 24,5% para 22,5%, movimento que tende a estimular as exportações argentinas.








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