Nasce primeiro clone suíno da América Latina em SP e novos já estão a caminho
Nascimento inédito em unidade do Instituto de Zootecnia marca avanço da biotecnologia e abre caminho para pesquisas em xenotransplantes no Brasil
Um feito inédito coloca São Paulo no mapa da biotecnologia global: nasceu o primeiro clone suíno da América Latina em uma unidade pública de pesquisa ligada ao agro paulista. E novos já estão a caminho.
O nascimento ocorreu no dia 24 de março, na unidade experimental do Instituto de Zootecnia (IZ), em Tanquinho, em Piracicaba, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O resultado é fruto de uma pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), responsável pela estrutura, manejo e cuidado dos animais.
E ele não deve ser o único. De acordo com informações divulgadas pela EPTV, exames de ultrassom indicam que uma porca segue em gestação com pelo menos três filhotes clonados. O animal está sob acompanhamento em Piracicaba.
"A gente espera que eles venham até o fim da gestação", diz o médico veterinário Fernando Whitehead, que monitora o animal, para a EPTV.
As instalações foram readequadas para atender à legislação específica para esse tipo de produção, com rigor em biossegurança, bem-estar animal e controle sanitário.
Foco em transplantes e avanço científico
A iniciativa integra um projeto voltado à produção de suínos com potencial para doação de órgãos e tecidos para humanos, dentro do campo do xenotransplante — técnica que busca reduzir a fila por transplantes e ampliar a compatibilidade entre doadores e receptores.
A pesquisa mobiliza uma equipe multidisciplinar, com especialistas em zootecnia, medicina veterinária e biotecnologia. No Instituto de Zootecnia, foram desenvolvidos protocolos específicos de manejo produtivo, sanitário, nutricional e ambiental, além de técnicas reprodutivas e cirúrgicas para implantação dos embriões, incluindo sincronização de cio e procedimentos de alta complexidade.
Segundo a equipe envolvida, os manejos são acompanhados de forma minuciosa para garantir o sucesso da gestação e o desenvolvimento dos animais.
A próxima etapa prevê o monitoramento dos clones até a maturidade sexual, com geração de dados para futuras aplicações científicas e tecnológicas. A clonagem representa um avanço rumo ao objetivo final do projeto, que é possibilitar a realização de xenotransplantes — transferência de órgãos entre espécies diferentes — e, dessa forma, ampliar as chances de salvar vidas humanas.
“O trabalho conduzido pelo Instituto de Zootecnia e pela Universidade de São Paulo marca um avanço decisivo para a ciência paulista e reforça o papel da pesquisa em gerar soluções concretas. O trabalho das nossas instituições abre novas fronteiras para a saúde humana, a produção animal e a bioeconomia. É esse investimento em ciência que sustenta a liderança de São Paulo e prepara o Estado para o futuro”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

O coordenador do Instituto de Zootecnia também destaca a contribuição da instituição no projeto. “A estrutura e a expertise do IZ são fundamentais para garantir o manejo adequado dos animais, com foco em biossegurança e bem-estar. É essa base que permite que a ciência avance com segurança e responsabilidade”, afirma.
Escassez de órgãos impulsiona pesquisas
As pesquisas voltadas ao xenotransplante têm como objetivo enfrentar um dos principais desafios da saúde pública: a escassez de órgãos para transplante. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, pacientes morrem diariamente à espera de um órgão compatível, cenário que reforça a relevância de iniciativas científicas desse tipo.
Além do impacto na saúde humana, o avanço posiciona São Paulo na vanguarda da biotecnologia aplicada ao agro, consolidando o papel das instituições públicas de pesquisa como ativos estratégicos para o desenvolvimento do Estado.
O projeto segue em desenvolvimento, com novas etapas já em andamento, incluindo a gestação de outros clones, ampliando o potencial da tecnologia e reforçando a integração entre ciência, produção e inovação no Estado.
De acordo com a pesquisadora do Instituto de Zootecnia, Simone Raymundo de Oliveira, os manejos produtivos - sanitário, nutricional e ambiental - são minuciosamente estudados pela equipe para garantir o sucesso da gestação. “Nosso objetivo agora é acompanhar o crescimento dos clones até a maturidade sexual, fornecendo dados sobre este animal para futura tomadas de decisões”.








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