O que Ozempic tem a ver com a soja?
No agronegócio, a discussão se reflete na tecnologia Intacta RR2 PRO
O Ozempic, medicamento conhecido no tratamento de diabetes e obesidade, tornou-se um símbolo de um debate que ultrapassa a saúde e alcança diretamente o agronegócio. A expiração da patente da semaglutida, seu princípio ativo, trouxe à tona a discussão sobre o equilíbrio entre inovação e acesso a tecnologias, tema que hoje também mobiliza o setor de soja no Brasil.
Com o fim da exclusividade, outras empresas passam a produzir versões concorrentes, o que tende a reduzir preços e ampliar o acesso ao tratamento. O caso envolveu tentativas de prorrogação judicial e ganhou novo capítulo com o Projeto de Lei 5810/2025, que propõe estender prazos de patentes devido à demora na análise pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
No agronegócio, a discussão se reflete na tecnologia Intacta RR2 PRO, presente em cerca de 80% das lavouras de soja. Produtores pagam royalties pelo uso da biotecnologia, mas questionam a continuidade dessas cobranças após a expiração de parte das patentes associadas.

Levantamentos indicam que os valores pagos chegam a R$ 280 por hectare, enquanto a rentabilidade média gira em torno de R$ 85,50, sendo que parcela relevante estaria ligada a patentes já vencidas. Decisões judiciais em Mato Grosso reconheceram a cobrança indevida e determinaram devoluções bilionárias, enquanto disputas seguem em outros estados e no Superior Tribunal de Justiça.
Entidades alertam que mudanças na legislação podem prolongar a vigência de patentes, manter cobranças e adiar a entrada de tecnologias em domínio público, com impacto direto sobre os custos de produção.








Comentários (0)
Comentários do Facebook