Milho mantém preços firmes durante a colheita
No mercado brasileiro, as cotações não registraram grandes mudanças
Os preços do milho permaneceram firmes no Brasil no fim de julho, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra. A demanda das exportações e das usinas de etanol começou a disputar o cereal disponível, enquanto compradores adiaram novas aquisições à espera de valores menores, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA).
Na Bolsa de Chicago, o contrato com vencimento mais próximo encerrou a quinta-feira, 30 de julho, cotado a US$ 4,45 por bushel. No encerramento da semana anterior, o milho havia atingido US$ 4,64. As condições das lavouras norte-americanas apresentaram uma pequena piora. Em 26 de julho, 63% das áreas estavam classificadas entre boas e muito boas, 25% eram consideradas regulares e 12% estavam entre ruins e muito ruins.
No mercado brasileiro, as cotações não registraram grandes mudanças. A média semanal recebida pelos produtores do Rio Grande do Sul ficou em R$ 58,94 por saca. Nas demais regiões acompanhadas, os valores pagos diretamente aos produtores variaram de R$ 44 a R$ 62,50 por saca.
A colheita da safra 2025/26 em Mato Grosso chegou a 91% da área em 24 de julho. Segundo dados divulgados pela CEEMA, com base em informações do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a média para esse período do ano é de 92,7%.
No Centro-Sul do Brasil, a colheita alcançou 60% da área em 23 de julho, de acordo com informações da AgRural divulgadas pela CEEMA. Em todo o país, os trabalhos atingiam 58,3% até 24 de julho.
Tocantins aparecia como o estado mais adiantado, com 93% da área colhida, seguido por Maranhão, com 90%, Mato Grosso, com 87,9%, e Piauí, com 72%. Goiás havia alcançado 35%, Paraná 29%, Minas Gerais 27%, Mato Grosso do Sul 20% e São Paulo 10%, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento divulgados pela CEEMA.
Mesmo com a entrada do cereal no mercado, a queda de preços esperada ainda não ocorreu. Os compradores têm priorizado o consumo dos estoques e adiado novas aquisições por acreditarem que as cotações poderão recuar quando a colheita estiver mais próxima do fim.
A expectativa está relacionada à possibilidade de aumento da oferta por parte dos produtores que possuem pouco espaço para armazenagem ou precisam vender para obter recursos financeiros. Até o encerramento do período analisado, no entanto, esse movimento ainda não havia pressionado as cotações.
As exportações passaram a ter papel importante na definição dos preços. Nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil embarcou 1,35 milhão de toneladas de milho. A média diária ficou 29,2% abaixo da registrada durante todo o mês de julho do ano anterior. Apesar do ritmo mais lento, havia demanda internacional para o embarque de pouco mais de 3 milhões de toneladas. Parte desse volume não estava disponível porque o milho ainda não havia sido colhido.

A expectativa era de que as vendas ganhassem força em agosto. O mês começou com aproximadamente 2,5 milhões de toneladas já programadas para exportação, segundo dados divulgados pela CEEMA.
O aumento dos embarques já dava sinais de disputa entre exportadores e compradores do mercado interno. A Espanha surgiu em 2026 como uma importante compradora do milho brasileiro. Dentro do país, a procura das usinas de etanol também tende a aumentar a concorrência pelo cereal.
A combinação entre exportações, produção de etanol e comercialização mais lenta pelos produtores ajuda a explicar por que os preços permanecem firmes durante a colheita. O ritmo dos embarques em agosto será decisivo para indicar se essa sustentação continuará ou se o aumento da oferta provocará uma retração.













Comentários (0)
Comentários do Facebook