Exportações de carne perdem ritmo em agosto

O recuo ocorre após o preenchimento da cota de 1,106 milhão de toneladas

Exportações de carne perdem ritmo em agosto
ilustrativa

As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em agosto após novas restrições no principal mercado comprador, ampliando a necessidade de redirecionar embarques para outros destinos. A avaliação é do economista André Galhardo Fernandes, que aponta queda de 26% na média diária exportada nas duas primeiras semanas do mês, ante o mesmo período de 2025.

O recuo ocorre após o preenchimento da cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pela China. Os volumes excedentes ficam sujeitos a sobretaxa de 55%, além da tarifa regular de 12%. Entre janeiro e julho, o país respondeu por 47% da receita e 45% do volume das exportações brasileiras de carne bovina.

Os dados de comércio exterior também mostram avanço das vendas para outros mercados asiáticos. No período, as exportações brasileiras para a Ásia cresceram 27%, de US$ 5,9 bilhões para US$ 7,5 bilhões. As vendas para a China avançaram 31%, para US$ 5,34 bilhões. O Vietnã se destacou com alta de 18.553%, passando de US$ 150 mil para US$ 28,05 milhões. Hong Kong cresceu 55%, a Coreia do Sul, 90%, e a Indonésia, 21%.

Para Galhardo Fernandes, a expansão das vendas ao Vietnã e a outros destinos pode indicar uma reorganização dos fluxos de carne voltados ao mercado chinês, hipótese que ainda precisa ser acompanhada. O Brasil ampliou para oito o número de frigoríficos habilitados a exportar ao Vietnã em 2026. Ainda assim, nenhum mercado alternativo tem capacidade, isoladamente, para absorver o volume comprado pela China. Se parte da produção ficar no mercado interno ou seguir para destinos menores, pode haver pressão sobre os preços do boi e as margens dos frigoríficos.