Brasil entra em março com alerta de chuva e calor, mas padrão começa a mudar
Transição entre estações altera comportamento do tempo e traz variação nas temperaturas ao longo do mês
Março começa com calor e pancadas de chuva típicas do verão em grande parte do Brasil, mas já sob influência da transição para o outono, o que deve trazer redução gradual das precipitações e temperaturas mais amenas ao longo do mês.
O período marca a passagem entre as duas estações. Embora o outono meteorológico — que compreende os meses de março a maio — já esteja em curso, pelo critério astronômico a estação começa apenas no dia 20, às 11h45.
Na prática, o comportamento do clima ainda é mais próximo do verão, segundo a Metsul Meteorologia.
Dias quentes e episódios de chuva passageira e localizada seguem comuns, mas, com o avanço do mês, aumenta a frequência de temperaturas mais agradáveis, especialmente durante a madrugada e no início da manhã.
De forma geral, o padrão de precipitação no país ainda segue o regime de verão. Na região Norte, permanece o chamado inverno amazônico, com volumes elevados de chuva.
Já no Centro-Oeste e no Sudeste, a estação chuvosa continua ativa, embora com volumes historicamente menores em comparação a janeiro e fevereiro, os meses mais chuvosos nessas regiões.
Dados recentes da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, indicam que a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central (região Niño 3.4) está em -0,1°C, dentro da neutralidade.
Por outro lado, no Pacífico próximo ao litoral de Peru e Equador (região Niño 1+2), a anomalia chegou a +1,2°C no fim de fevereiro. Esse aquecimento está associado ao chamado El Niño Costeiro, fenômeno regional que segue ativo e deve persistir ao longo de março.
Chuva perde força, mas ainda pode ser intensa
Após o pico da estação chuvosa entre dezembro e fevereiro, é esperado que março registre redução das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste. Ainda assim, episódios de precipitação volumosa não estão descartados.
Depois de um fevereiro com volumes muito acima da média, a tendência é de chuvas mais próximas da normalidade na Zona da Mata de Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Mesmo assim, a combinação de calor e umidade, aliada ao relevo, pode favorecer eventos isolados de chuva intensa.
A previsão indica grande variabilidade nos volumes ao longo do mês. Há tendência de precipitação abaixo da média em áreas de Mato Grosso do Sul e no interior de São Paulo, enquanto volumes acima da média são mais prováveis em pontos entre o Centro e o Norte de Minas Gerais, além do Rio de Janeiro, Espírito Santo, litoral paulista e Norte de Mato Grosso.
Na Região Sul, o cenário também é de irregularidade. Os maiores acumulados são esperados no Oeste e na Metade Norte do Rio Grande do Sul, além do Leste de Santa Catarina e do Paraná.
Modelos do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) indicam que o início de março deve ter chuva escassa no Sul do Brasil, enquanto áreas entre o Norte de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia tendem a registrar volumes elevados. Na segunda semana, a precipitação deve voltar com mais frequência à Região Sul.

Risco de chuva excessiva no litoral
A irregularidade típica do verão ainda deve marcar o mês, com temporais isolados influenciando volumes elevados de forma localizada.
Em março, não é incomum que áreas do Leste da Região Sul e da costa do Sudeste registrem acumulados elevados ou até excessivos. Esse cenário ocorre quando há infiltração de umidade do mar associada a ventos de Leste, intensificada pelo relevo da Serra do Mar.
Essas condições aumentam o risco de chuva intensa em áreas costeiras.
O impacto tende a ser maior entre o Litoral Norte do Rio Grande do Sul e o litoral do Rio de Janeiro, especialmente em regiões com topografia sensível e alta densidade populacional, como o Leste de Santa Catarina e os litorais de São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente quando há avanço de ar frio pela costa.
Semana começa com alertas de temporais
A Zona da Mata de Minas Gerais, que enfrentou chuva extrema na última semana, com inundações e deslizamentos, deve ter redução da instabilidade e volumes menores nos próximos dias, segundo a MetSul Meteorologia.
Por outro lado, a semana começa com alerta de fortes tempestades em boa parte do Nordeste. Há risco de deslizamentos, alagamentos e transbordamento de rios em áreas da Bahia, oeste de Alagoas, Pernambuco e Paraíba.
Também há previsão de chuva intensa no norte do Maranhão e do Piauí, além do sul do Ceará.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), essas regiões podem registrar volumes acima de 100 milímetros por dia nesta segunda-feira. No litoral entre o norte de Alagoas e o sul do Rio Grande do Norte, são esperadas chuvas de até 100 milímetros, com risco de alagamentos e deslizamentos.








Comentários (0)
Comentários do Facebook