Demanda aquecida sustenta alta dos preços do boi gordo no Brasil
Escalas de abate encurtadas levam frigoríficos a pagar mais pela arroba, enquanto exportações de carne bovina avançam em junho
O mercado físico do boi gordo registrou preços firmes, entre estáveis e mais altos, ao longo da semana, em meio à expectativa de aumento da demanda no curto prazo. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, as escalas de abate mais curtas também levaram os frigoríficos a elevarem os valores pagos pela arroba.
Iglesias ressalta, porém, que o mercado tende a passar por mudanças em breve. De acordo com ele, os frigoríficos já buscam estabelecer compras em patamares mais baixos para a arroba em alguns estados, realizando ajustes diante do esgotamento precoce da cota chinesa destinada ao Brasil neste ano.
Na avaliação do analista, com a previsão de preenchimento da cota entre junho e julho, deve haver uma redução nos abates de animais, acompanhada da redução ou até da eliminação das bonificações inerentes ao boi padrão China.
“Isso pode limitar movimentos contundentes de alta na arroba do boi gordo daqui para frente”, pontua.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 11 de junho:
São Paulo (Capital) – R$ 355,00 a arroba, inalterado frente ao final da semana passada.
Goiás (Goiânia) – R$ 340,00 a arroba, avanço de 3,03% frente aos R$ 330,00 registrados no final da semana anterior.
Minas Gerais (Uberaba) – R$ 330,00 a arroba, alta de 1,54% frente aos R$ 325,00 praticados no fechamento da semana passada.
Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 355,00 a arroba, aumento de 1,43% ante os R$ 350,00 registrados no encerramento da última semana.
Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 360,00 a arroba, acréscimo de 1,41% perante os R$ 355,00 praticados no fechamento da semana anterior.
Rondônia (Vilhena) – R$ 345,00 a arroba, alta de 2,99% em relação aos R$ 335,00 registrados no encerramento da semana anterior.
Atacado
Iglesias destaca que o mercado atacadista apresentou cotações entre estáveis e mais altas durante a semana. Segundo ele, o movimento foi sustentado pela expectativa de boa reposição entre atacado e varejo ao longo da primeira quinzena do mês.
Além disso, a perspectiva para o consumo de carne bovina em junho permanece favorável, especialmente às vésperas dos jogos da seleção brasileira. Ainda assim, a carne bovina segue perdendo competitividade frente às proteínas concorrentes, principalmente em relação à carne de frango.
O quarto do dianteiro foi precificado em R$ 21,70 por quilo na semana, alta de 0,93% frente aos R$ 21,50 registrados no final da semana passada. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados em R$ 27,00 por quilo, sem alterações em relação ao encerramento da última semana.

Exportações
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 412,153 milhões em junho até o momento, considerando quatro dias úteis, com média diária de US$ 103,038 milhões.
A quantidade total exportada pelo país alcançou 62,589 mil toneladas, com média diária de 15,647 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.585,10.
Na comparação com junho de 2025, houve alta de 56,9% no valor médio diário exportado, avanço de 29,8% na quantidade média diária embarcada e ganho de 20,9% no preço médio da tonelada.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
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