Boi gordo: estabilidade prevalece, apesar da forte pressão de baixa nos preços da arroba
A ausência de excedente de boiadas terminadas continua limitando o espaço para novas quedas nas cotações, observam os analistas da Agrifatto
Os pecuaristas resistem às ofertas menores de preços pelo boi gordo por parte dos frigoríficos e dosam a disponibilidade de animais, preservando parte do poder de barganha, informa a equipe de analistas da Agrifatto.
Embora algumas regiões brasileiras tenham registrado recuos nas cotações do boi gordo nas últimas semanas, o equilíbrio entre escalas de abate mais confortáveis e oferta restrita de boiadas gordas ainda não sinaliza um movimento generalizado de queda da arroba, observa a consultoria.
Nesta quinta-feira (20/8), informa a Agrifatto, o boi gordo permaneceu valendo R$ 350/@ no interior paulista, no prazo, ainda sem premiação para o animal com padrão-China,
“Todas as praças monitoradas registravam estabilidade nas cotações da arroba”, relata a Agrifatto.
Segundo dados apurados pela Scot Consultoria, em São Paulo, a oferta de lotes terminados segue controlada e as compras têm ocorrido dentro da referência, com os frigoríficos locais trabalhando com escalas de abate formadas até o fim de agosto/26.
Pelos números da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 347/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está valendo 350/@ (valores brutos, no prazo).
Pressão negativa continua
Apesar da estabilidade nos preços da arroba, o enfraquecimento das exportações brasileiras de carne bovina, devido ao esgotamento iminente da cota de salvaguarda chinesa (de 1,1 milhão de toneladas), e o escoamento lento no mercado doméstico aumentaram a pressão negativa sobre o boi gordo nas últimas semanas.
“Com estoques ajustados à demanda e escalas atendendo, na média nacional, cerca de 7 dias úteis, as indústrias frigoríficas ganharam margem para testar ofertas de compra em patamares menores e efetivar negócios abaixo das referências anteriores”, observa a Agrifatto.
No entanto, enfatiza a consultoria, apesar do maior poder de negociação dos frigoríficos, a ausência de excedente de boiadas terminadas continua limitando o espaço para novas baixas.
Futuros sobem novamente
No mercado futuro do boi gordo na B3, os contratos encerraram o pregão de quarta-feira (19/8) da B3 em alta pelo segundo dia consecutivo.
O contrato com vencimento em outubro/26, pico da entressafra, fechou a sessão cotado a R$ 364/@/@, com valorização de 0,54% em relação ao fechamento anterior.

Varejo e atacado enfraquecidos
Segundo apuração da Agrifatto, o atacado paulista de carne bovina com osso vem acompanhando o movimento de retração das vendas da proteína no varejo, com distribuições inexpressivas e poucos pedidos de reposição.
Com isso, o setor segue travado, refletindo sobretudo a queda do poder aquisitivo da população nesta reta final de agosto – período marcado pelo esgotamento dos salários recebidos no início do mês.
“O cenário favorece a migração para proteínas mais baratas, como aves e suínos, sem perspectiva de recuperação do setor de carne bovina até o fim de agosto, mesmo com o crédito do vale mensal nesta quinta-feira (20)”, ressalta a Agrifatto.












