Brasil pode ampliar valor ao exportar mais alimentos

A soja em grãos é exportada por cerca de US$ 0,40 por quilo

Brasil pode ampliar valor ao exportar mais alimentos
ilustrativa

A ampliação do valor gerado pelas exportações brasileiras passa pela transformação de matérias-primas em alimentos de maior valor agregado. Embora o país tenha forte presença mundial na produção de grãos, uma parcela relevante do potencial econômico permanece concentrada na venda de commodities, enquanto a industrialização pode ampliar renda, empregos e competitividade.

Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, a diferença de valor entre grãos e proteínas animais mostra o tamanho dessa oportunidade. A soja em grãos é exportada por cerca de US$ 0,40 por quilo, enquanto o milho não moído alcança aproximadamente US$ 0,20 por quilo. Já a carne bovina chega a US$ 5,40 por quilo, a carne suína a US$ 2,50 e a carne de aves a US$ 1,80.

Na comparação apresentada pelo consultor, um quilo de carne bovina vale cerca de 13,5 vezes mais que um quilo de soja e 27 vezes mais que um quilo de milho. Mesmo a carne de aves, de menor valor entre as proteínas citadas, representa aproximadamente nove vezes o valor do milho em grão.

A avaliação é de que o país pode avançar ao transformar uma parcela maior da soja e do milho em proteína animal e fortalecer agroindústrias próximas às regiões produtoras. Esse movimento tende a ampliar a geração de empregos qualificados, renda no interior, arrecadação, competitividade e saldo comercial.

Para Prado, o avanço também depende de melhorias em infraestrutura, crédito, taxa de juros compatível e diplomacia voltada à abertura de novos mercados. O desafio, portanto, é ampliar a industrialização e fazer com que a eficiência já alcançada na produção seja acompanhada por maior agregação de valor nas exportações.