Agronegócio catarinense tem cenário misto em março
Arroz reage, mas mercado segue pressionado
Os preços do arroz registraram leve recuperação no início de março no Sul do país, segundo o Boletim Agropecuário divulgado pelo Epagri/Cepa. O movimento foi sustentado pela baixa liquidez e pela retenção de vendas por parte dos produtores, o que levou indústrias a elevar ofertas de forma pontual. Ainda assim, o avanço da colheita, os estoques elevados e um cenário externo moderado seguem limitando novas altas e mantendo margens negativas no campo.
As exportações aparecem como alternativa para reduzir a oferta interna. De acordo com o levantamento, houve aumento de 59% no valor embarcado entre janeiro e fevereiro, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tendência que pode influenciar os preços domésticos. Para a safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta queda de 14,4% na produção nacional. Em Santa Catarina, a área recua levemente e a produção deve atingir cerca de 1,22 milhão de toneladas.
No mercado de feijão, o ano começou com valorização em Santa Catarina. O boletim aponta que “o feijão-carioca acumulou ganho de mais de 40% no mês”, mantendo ritmo de alta também no início de março. O feijão-preto seguiu a mesma tendência. No campo, a colheita da primeira safra alcançou 63% da área até o fim de fevereiro, com lavouras majoritariamente em maturação, embora o calor e a umidade tenham reduzido o ritmo dos trabalhos. Para a safra 2025/26, a expectativa é de redução de área e produção.
O milho apresentou queda de preços no Sul em fevereiro e início de março, pressionado pelo avanço da colheita e pelos estoques. Ainda assim, o mercado futuro reagiu diante do atraso no plantio da segunda safra e do risco de perdas. Para o próximo ciclo, a área cultivada cresceu 1,95%, com produtividade estimada em 8.802 kg por hectare.
No caso do trigo, a comercialização segue lenta em um mercado interno sem dinamismo. Em Santa Catarina, os preços ao produtor recuaram em fevereiro, fechando o mês em R$ 60,83 por saca. A área plantada diminuiu cerca de 15%, e, mesmo com ganho de produtividade, a produção caiu em relação ao ciclo anterior. O setor mantém cautela diante das incertezas para 2026 e dos impactos do cenário internacional, incluindo o aumento de custos ligados a fertilizantes e logística.
A bananicultura catarinense teve queda de preços no primeiro bimestre, com recuo médio de 7,3% entre janeiro e fevereiro, influenciado pela maior oferta. Por outro lado, o desempenho das exportações se destacou, com crescimento de 16,3% no volume embarcado, consolidando o estado como responsável por 47% das exportações brasileiras da fruta no período.

No mercado de alho, a maior parte da produção permanece armazenada, com cerca de 20% do volume comercializado. A pressão sobre os preços está relacionada à elevada oferta interna e ao aumento das importações, principalmente da Argentina, que respondeu por 96% das 17,74 mil toneladas importadas em fevereiro.
A cebola apresentou queda de preços em fevereiro, mas houve reação no início de março. O movimento foi influenciado pelo fim da oferta de outros estados e por dificuldades no escoamento em regiões do Nordeste, o que concentrou a oferta em Santa Catarina.
Na pecuária, o preço do boi gordo subiu nas primeiras semanas de março, acompanhando o desempenho das exportações de carne bovina, que cresceram 23% no primeiro bimestre. A menor oferta de animais para abate também contribuiu para a valorização.
A avicultura catarinense registrou aumento nas exportações em fevereiro, com 104,6 mil toneladas embarcadas e receitas de US$ 215,4 milhões. No acumulado do bimestre, os resultados foram os maiores da série histórica em valor. Apesar disso, o setor acompanha com atenção os impactos do conflito no Oriente Médio sobre custos logísticos e rotas comerciais.
Santa Catarina também manteve a liderança nas exportações de carne suína, com 56,2 mil toneladas embarcadas em fevereiro e receitas de US$ 138,6 milhões. No bimestre, o estado respondeu por mais da metade das receitas nacionais do setor.
Por fim, o mercado de leite iniciou 2026 com recuperação de preços. O valor de referência subiu de R$ 2,06 para R$ 2,14 por litro entre fevereiro e março, refletindo movimento também observado no atacado. A redução das importações contribuiu para aliviar a pressão sobre o mercado interno.








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