El Niño pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão de 2026

Boletim prevê aumento do risco de impactos hidrometeorológicos, temperaturas acima da média e incêndios florestais em diferentes regiões do Brasil

El Niño pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão de 2026
ilustrativa

El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026 e tem alta probabilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, o que aumenta a probabilidade de impactos hidrometeorológicos em diferentes regiões do Brasil.

A avaliação consta no Boletim nº 2, divulgado por órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático e de desastres naturais.

O documento foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

Boletim aponta aumento dos riscos climáticos

Segundo o boletim, a intensificação do El Niño eleva a probabilidade de ocorrência de impactos hidrometeorológicos em diferentes regiões do Brasil. Os órgãos responsáveis ressaltam, no entanto, que a intensidade e a distribuição desses efeitos dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas nos próximos meses.

Para o trimestre entre agosto e outubro, a previsão indica chuvas acima da média na Região Sul e precipitações abaixo da média em grande parte do Centro-Norte do país.

O documento também aponta maior probabilidade de temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil, cenário que favorece a ocorrência de ondas de calor, baixa umidade do ar e aumenta o risco de incêndios florestais.

Na agropecuária, o boletim indica que as condições climáticas tendem a favorecer a colheita do milho segunda safra e do algodão em parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além das culturas de inverno no Sudeste.

Por outro lado, o déficit hídrico e as temperaturas elevadas podem aumentar a demanda por irrigação, comprometer pastagens, reduzir a disponibilidade de água e afetar culturas perenes em diferentes regiões do país. No Sul, o excesso de chuvas pode beneficiar algumas lavouras, mas também elevar o risco de doenças fúngicas e dificultar os trabalhos no campo.

O documento também reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas para acompanhar a evolução do fenômeno e subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos.

Defesa Civil orienta população

Diante do cenário previsto, os órgãos recomendam que a população acompanhe as previsões do tempo, além dos avisos e alertas emitidos pelos canais oficiais.

Entre as orientações estão manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas da Defesa Civil, conhecer as áreas de risco e as rotas de fuga da região onde vive e adotar medidas de autoproteção sempre que houver previsão ou ocorrência de eventos adversos.

As instituições responsáveis pelo boletim informaram que continuarão monitorando as condições associadas ao El Niño e divulgarão atualizações periódicas com novas informações técnicas e previsões para subsidiar ações de prevenção, preparação e resposta aos possíveis impactos do fenômeno nos próximos meses.