Atualização quinzenal de preços: GDT avança, enquanto spot e derivados seguem pressionados

Com o objetivo de atualizar os leitores sobre os principais movimentos do mercado lácteo, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, traz um panorama quinzenal com os acontecimentos mais relevantes de preços no setor.

Atualização quinzenal de preços: GDT avança, enquanto spot e derivados seguem pressionados
ilustrativa

Com o objetivo de atualizar os leitores sobre os principais movimentos do mercado lácteo, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, traz um panorama quinzenal com os acontecimentos mais relevantes de preços no setor.

Confira os destaques mais recentes:

Leilão GDT: o 414º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou alta de 2,5% no GDT Price Index, com preço médio de USD 4.021/tonelada. O resultado reforça a sustentação das cotações internacionais, após a valorização observada no leilão anterior. Entre os principais produtos negociados, o leite em pó integral (LPI) avançou 4,4%, atingindo USD 3.760/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) apresentou alta de 3,4%, chegando a USD 3.975/tonelada. Com isso, ambos ampliaram suas cotações, mantendo o LPD acima do LPI. O desnatado acumula uma trajetória de valorização desde julho e alcançou um dos maiores patamares de preço desde 2022, reforçando a importância dos leites em pó para o desempenho do índice.

Leite spot: o mercado brasileiro de leite spot encerrou a segunda quinzena de outubro com novas quedas nas cotações em todos os estados acompanhados, embora os recuos tenham sido menos intensos do que os registrados no início do mês. A maior disponibilidade de leite, somada à pressão sobre os preços dos derivados lácteos, continua limitando as cotações. A média nacional recuou R$ 0,059/litro, para R$ 2,586/litro. Entre os estados, Minas Gerais apresentou a maior queda, de R$ 0,120/litro, encerrando a quinzena com média de R$ 2,589/litro. Em Goiás, a cotação média ficou em R$ 2,490/litro, após recuo de R$ 0,040/litro.

Balança comercial: setembro registrou crescimento tanto das importações quanto das exportações brasileiras de lácteos. As compras externas somaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, avanço de 8,7% em relação a agosto. Já as exportações totalizaram 5,4 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 6,5% na mesma comparação. Com o avanço das importações, o déficit da balança comercial aumentou de cerca de 219 milhões de litros em agosto para 237,6 milhões de litros em equivalente-leite em setembro. O movimento foi impulsionado pelo aumento das compras provenientes da Argentina e do Uruguai, em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul, com a produção dos países fornecedores acima dos patamares registrados no ano anterior.

Muçarela: o mercado de muçarela segue pressionado pela oferta elevada diante de uma demanda insuficiente para absorver o volume disponível. As cotações recuaram de R$ 31,60/kg para R$ 31,30/kg, queda de 0,8%, mantendo a sequência de ajustes negativos no mercado do derivado.

Leite em pó: os preços dos leites em pó apresentaram movimentos distintos. O leite em pó integral (LPI) permaneceu estável em R$ 24,00/kg, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) recuou para R$ 23,30/kg. Em sentido oposto, o leite em pó fracionado (LPF) avançou para R$ 30,00/kg, indicando comportamentos diferentes entre os produtos no mercado doméstico.

Milho: segundo o Cepea, as cotações seguem pressionadas pela oferta nacional superior à demanda, e as novas estimativas da Conab de aumento da produção em 2026/27 reforçam esse cenário. A semeadura da safra verão avança de forma satisfatória, o que pode favorecer a realização da segunda safra dentro da janela ideal, enquanto os compradores domésticos seguem retraídos no spot. A queda dos preços internacionais, que reduz a paridade de exportação, e o ritmo de embarques abaixo da temporada anterior também pesaram. 

Soja: o mercado segue pressionado pelo avanço da colheita nos EUA e pelo andamento do plantio no Brasil. O cenário de maior oferta é reforçado pelo primeiro levantamento da Conab, divulgado em 15 de outubro, que projeta 181,6 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de toneladas de milho em 2026/27. O câmbio também aparece entre os principais fatores de pressão sobre o preço da soja em outubro.

Oferta: a oferta de leite segue elevada no mercado nacional, sustentada pela recuperação sazonal da produção no campo, especialmente no Sul do país, e pela entrada da safra das águas nas demais regiões produtoras. Somam-se a isso as importações em patamar elevado, sobretudo de leite em pó e queijos, que ampliam a disponibilidade de produtos no mercado interno. Com mais matéria-prima disponível, o volume destinado à indústria aumenta e, consequentemente, a oferta de derivados também cresce. Esse cenário segue exercendo pressão sobre as cotações ao longo da cadeia.

Demanda: do lado do consumo, o ritmo segue mais lento e sem força suficiente para absorver a maior oferta disponível. O varejo tem adotado postura cautelosa nas compras, realizando reposições pontuais e pressionando por preços menores nas negociações com a indústria. Nesse contexto, derivados de maior giro, como o leite UHT e a muçarela, seguem apresentando ajustes negativos, enquanto as indústrias encontram dificuldade em repassar preços e buscam escoar os estoques. A combinação entre oferta crescente e demanda desaquecida tende a manter o mercado pressionado no curto prazo, com espaço limitado para recuperação das cotações.