Após encalhes de balsas, DNIT abre licitação para reconstrução da ponte da BR-235 no Tocantins
Estrutura entre Pedro Afonso e Tupirama apresenta danos graves e mantém restrições ao tráfego de veículos pesados
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicou nesta sexta-feira (23), no Diário Oficial da União (DOU), o aviso de licitação para a reconstrução da ponte sobre o Rio Tocantins, localizada na BR-235, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, na região central do Tocantins. A contratação tem valor estimado de R$ 430,4 milhões e contempla a elaboração dos projetos de engenharia, a demolição da estrutura existente, a execução das obras e o monitoramento contínuo da ponte.
A publicação representa uma nova etapa para a recuperação da ligação rodoviária, que enfrenta restrições desde maio deste ano devido a problemas estruturais. O processo ocorre após mobilizações de moradores, representantes do poder público e do setor produtivo, que discutiram alternativas para garantir a mobilidade e o transporte de cargas na região.
De acordo com o aviso publicado no DOU, a concorrência eletrônica nº 535/2026 começou a receber propostas nesta sexta-feira (23), às 8h. A abertura está marcada para 22 de janeiro de 2027, às 15h. O modelo previsto é de contratação integrada, no qual a empresa vencedora será responsável pelo desenvolvimento dos projetos e pela execução das intervenções necessárias.
Segundo informações divulgadas anteriormente pelo DNIT, o prazo estimado para execução das obras é de 28 meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço, que dependerá da conclusão da licitação e da formalização do contrato. Portanto, a publicação do edital ainda não representa o início da construção.
Problemas na travessia por balsas
A publicação do edital ocorre poucos dias após novos transtornos na travessia do Rio Tocantins. Entre domingo (18) e segunda-feira (19), uma balsa que transportava dois caminhões de carga ficou encalhada por mais de 18 horas em um banco de areia entre Pedro Afonso e Tupirama.
Segundo informações divulgadas pelo g1 Tocantins e repercutidas pelo Tocantins Rural, a embarcação iniciou a travessia por volta das 15h de domingo, mas ficou presa aproximadamente 20 minutos depois. Os caminhoneiros permaneceram no local durante a noite, e a balsa só foi liberada por volta das 9h de segunda-feira.
O motorista Marcos Antônio, que transportava uma das cargas, relatou que os ocupantes receberam alimentação durante o período em que permaneceram no rio. Apesar da oferta de hospedagem, ele optou por continuar no caminhão para acompanhar a mercadoria sob sua responsabilidade.
Na segunda-feira (19), outra balsa que transportava carros e caminhões também encalhou no mesmo trecho, permanecendo parada por aproximadamente três horas.
A empresa Pippes, responsável pela operação das embarcações envolvidas nas ocorrências, atribuiu os episódios à redução do nível do Rio Tocantins durante o período de estiagem. Segundo a companhia, quando as condições de navegação ficam comprometidas, são realizados contatos com a Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães (UHE Lajeado) para avaliar a possibilidade de aumento da vazão.
A Investco, responsável pela usina, informou que mantém interlocução técnica com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e com a operadora da travessia para o compartilhamento de informações sobre as condições hidrológicas e operacionais do rio.
Ponte apresenta danos estruturais desde maio
As restrições na ponte começaram em 18 de maio, quando o DNIT determinou a proibição da passagem de veículos de carga com peso superior a quatro toneladas. Dois dias depois, o órgão anunciou a interdição total preventiva da estrutura, após vistorias identificarem problemas que exigiam avaliações técnicas aprofundadas.
Laudos concluídos em julho identificaram danos graves no concreto das fundações, com desgastes considerados irreversíveis. Diante dos resultados, a reconstrução passou a ser apontada como necessária.
Em agosto, o DNIT anunciou a liberação parcial da estrutura para veículos leves, como carros e motocicletas, mantendo o monitoramento e as restrições para veículos pesados.

A limitação do tráfego afeta uma ligação utilizada para o deslocamento de moradores e o transporte de mercadorias na região de Pedro Afonso, que concentra atividades agropecuárias. Com a restrição à passagem de caminhões pela ponte, a travessia por balsas e os trajetos alternativos passaram a ter maior importância para o escoamento da produção e o abastecimento regional.
Audiência pública e acompanhamento das medidas
A situação da ponte também foi discutida em audiência pública realizada em 7 de agosto, em Pedro Afonso, com a participação de representantes do poder público e da comunidade.
No dia 6 de outubro, a Procuradoria da República no Tocantins realizou uma reunião para acompanhar o cumprimento dos encaminhamentos apresentados durante a audiência. O encontro, conduzido pelo procurador da República Álvaro Manzano, reuniu representantes do DNIT, da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura do Tocantins (Ageto) e o prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Pinheiro.
Entre os assuntos discutidos estavam a construção da nova ponte, a disponibilização de balsas para atender à demanda de transporte e a recuperação de trechos da TO-010, utilizada como rota alternativa.
Na ocasião, a publicação do edital ainda era uma das providências previstas para outubro. Com o aviso divulgado nesta sexta-feira (23), essa etapa do processo de contratação foi formalizada.
Próximas etapas
Com a licitação aberta, as empresas interessadas poderão apresentar suas propostas até a data estabelecida no edital. Após a análise e as demais etapas administrativas, a empresa vencedora poderá ser contratada para desenvolver os projetos e executar a reconstrução.
Enquanto isso, a ponte atual permanece sujeita às restrições de tráfego. O DNIT informou que os dados obtidos durante o monitoramento da estrutura serão avaliados para verificar a possibilidade de ampliação do limite de peso permitido aos veículos.
O órgão também prevê a continuidade do acompanhamento técnico até a conclusão da nova ponte.
A reconstrução é aguardada como uma solução definitiva para a ligação entre Pedro Afonso e Tupirama. Até que a obra seja concluída, as condições da ponte existente, as rotas alternativas e a operação das balsas continuarão sendo determinantes para a circulação de pessoas e mercadorias na região.











