Operação Imperium revela fazendas milionárias e prende facção que movimentou R$ 43 milhões

Polícia Civil aponta esquema de lavagem de dinheiro com empresas de fachada e aquisição de imóveis rurais e veículos de luxo no sul de Mato Grosso

Operação Imperium revela fazendas milionárias e prende facção que movimentou R$ 43 milhões
Ilustrativa

A Polícia Civil desarticulou um império financeiro construído por um núcleo de facção criminosa atuante no sul de Mato Grosso.

As investigações da Operação Imperium  revelaram movimentações milionárias, uso de identidades falsas, empresas de fachada e aquisição de imóveis rurais e veículos de luxo incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

Entre março e abril de 2024, o líder do grupo movimentou R$ 43 milhões em transações consideradas incompatíveis com seu patrimônio.

A operação foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

O esquema de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial era coordenado pelo faccionado G.R.S., conhecido como “Vovozona”, foragido da Justiça de Mato Grosso desde 2023 e apontado como conselheiro da facção criminosa no estado.

Por meio de um esquema que envolvia pessoas interpostas (laranjas) e outros diretamente ligados ao líder, o grupo utilizava documentos falsos para abertura de contas bancárias e criação de empresas de fachada com o objetivo de movimentar recursos oriundos do crime.

No período de dois anos, foram identificadas movimentações financeiras milionárias e a aquisição de bens móveis e imóveis de alto padrão para uso pessoal e demonstração de riqueza.

Movimentação de valores

As investigações apontaram que, entre 2024 e 2025, o núcleo criminoso adquiriu bens de alto valor incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos e realizou movimentações expressivas.

Entre março e abril de 2024, utilizando identidade falsa, o líder da facção movimentou R$ 43 milhões em transações consideradas incompatíveis com seu patrimônio.

A lavagem do dinheiro era realizada por meio de empresas de fachada abertas com documentos falsos e identidade criada especificamente para o líder.

Uma das empresas estava registrada em nome da principal operadora da facção, alvo da operação e presa no Estado do Paraná, e era utilizada para movimentar valores milionários sem possuir sede física real.

Também foram identificadas contas bancárias em nome de menores de idade, filhos da suspeita, que registraram movimentações superiores a R$ 1,6 milhão em apenas seis meses.

Transferências constantes de valores oriundos de outros investigados, traficantes e integrantes da facção reforçam o caráter ilícito das operações.

Bens móveis e imóveis

Em dois anos, o grupo construiu um patrimônio considerado pelas investigações como um verdadeiro império financeiro, com a aquisição de imóveis rurais de alto padrão e veículos de luxo, que foram alvos de sequestro na Operação Imperium.

Entre os imóveis rurais estão uma fazenda em Conceição do Rio Verde (MG), avaliada em R$ 4 milhões, e um haras em Soledade de Minas (MG), no valor de R$ 2,1 milhões, adquiridos pela esposa do líder da facção.

Entre os bens móveis identificados estão 10 veículos utilizados pelos integrantes da facção, entre eles carros importados de luxo como BMW, Porsche, Audi A3, além de Fiat Strada, VW Jetta e uma GM/S10. Todos estavam vinculados a transações suspeitas e eram utilizados para transporte do líder e seus associados.

O braço direito de “Vovozona”, preso no Rio de Janeiro, possuía residência em Rondonópolis e também no Complexo do Alemão, na capital fluminense. Ele mantinha rotina entre as duas cidades em razão da função exercida na facção.

Além dos dois imóveis, foi identificada uma empresa em Lucas do Rio Verde registrada em seu nome, porém inexistente fisicamente.

Na última semana, ele estava no Rio de Janeiro quando teve o mandado de prisão preventiva cumprido em um bar e conveniência em frente à praia, na região do Recreio. Além da prisão, a ação resultou na apreensão dos veículos BMW e GM/S-10 vinculados à facção.

Para o delegado responsável pelas investigações, Marlon Luz, o caso evidencia a sofisticação da facção criminosa na utilização de mecanismos financeiros e jurídicos para ocultação de patrimônio.

“A investigação mostra que, apesar da complexidade do esquema, o Estado avança no combate à lavagem de dinheiro, mirando diretamente na fonte de sustentação da facção: seu poder econômico”, disse o delegado.