Instabilidade muda estratégia de abastecimento

Diante desse quadro, a resiliência tornou-se parte da estratégia industrial

Instabilidade muda estratégia de abastecimento
ilustrativa

 Foto: Pixabay

A instabilidade geopolítica passou a interferir diretamente no abastecimento industrial, elevando custos, ampliando prazos e reduzindo a previsibilidade das operações. A avaliação é de Laricia Lemos, bacharel em relações internacionais, com MBA em gestão de negócios pela Esalq/USP, e international purchasing da BRQ Brasilquímica. Conflitos em regiões estratégicas alteram rotas comerciais, pressionam o frete, afetam combustíveis e restringem a oferta de matérias-primas.

A guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, mostram como eventos distantes podem atingir cadeias produtivas em vários países. Para a indústria brasileira, os efeitos incluem volatilidade cambial, atrasos em portos, escassez de contêineres e aumento dos custos de transporte. Nesse ambiente, empresas passaram a negociar compras com maior antecedência para garantir produtos e espaço em navios, mesmo com menor flexibilidade operacional.

Na BRQ Brasilquímica, os impactos foram percebidos na cadeia de boratos, como ácido bórico, ulexita e octaborato de sódio, usados na nutrição das plantas. A redução da oferta e a alta de preços também atingiram o ácido sulfúrico, essencial para a produção de sulfato de zinco 20%, fertilizante utilizado no fornecimento de zinco às culturas.

Diante desse quadro, a resiliência tornou-se parte da estratégia industrial. Diversificar fornecedores, fortalecer parcerias logísticas, manter estoques estratégicos e acompanhar o mercado global passaram a ser medidas permanentes. Se as tensões persistirem, os desafios de custo e abastecimento devem continuar, mas o Brasil também pode ampliar sua participação como fornecedor de alimentos para mercados interessados em reduzir a dependência de regiões afetadas por conflitos.