Chuvas irregulares preocupam produtores de soja e milho no Tocantins; veja técnicas para reduzir perdas
Embrapa aponta que períodos de 10 a 15 dias sem chuva podem comprometer a produtividade das lavouras; conservação do solo, bioinsumos e planejamento do plantio estão entre as alternativas
A irregularidade das chuvas no Tocantins tem exigido maior atenção dos produtores de soja e milho na safra 2026/2027. Além de interferir no calendário de plantio, a falta de precipitações regulares pode prejudicar o desenvolvimento das plantas e comprometer a produtividade, principalmente nas fases de florescimento e formação dos grãos.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), períodos de 10 a 15 dias sem chuva podem provocar perdas nas lavouras, dependendo do estágio de desenvolvimento das culturas. As temperaturas elevadas agravam o problema ao aumentar a perda de água do solo e das plantas.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro) aponta práticas de manejo que podem ajudar os agricultores a reduzir os impactos da estiagem. Entre elas estão o uso de bioinsumos, a manutenção da cobertura vegetal do solo, a rotação de culturas e o planejamento da semeadura conforme as condições climáticas de cada região.
Bioinsumos podem contribuir para a produtividade
Uma das tecnologias avaliadas pela Embrapa é o Hydratus, desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo. O bioinsumo busca favorecer o desenvolvimento das raízes e melhorar o aproveitamento de água e nutrientes pelas plantas.
Em avaliações realizadas em 30 áreas comerciais, a tecnologia apresentou ganhos médios de 4,8 sacas por hectare na soja e 7,7 sacas por hectare no milho. Os resultados, porém, não representam uma previsão de aumento de produtividade para as lavouras do Tocantins.
O pesquisador da Embrapa Jones Simon alerta que uma melhor resposta fisiológica das plantas à falta de água não significa, necessariamente, maior produção de grãos.
“Uma planta pode apresentar melhores condições fisiológicas durante a estiagem sem que isso necessariamente resulte em maior produtividade. Por isso, os benefícios precisam ser comprovados em experimentos de campo, considerando as diferentes condições de produção encontradas no estado”, explicou.
Conservação do solo ajuda a enfrentar períodos de estiagem
Além das tecnologias biológicas, o manejo do solo é apontado como uma das principais estratégias para reduzir os efeitos da falta de chuva.
O Sistema Plantio Direto, por exemplo, mantém resíduos vegetais sobre a superfície, ajudando a diminuir a evaporação da água e a proteger o solo. A rotação de culturas e o consórcio milho-braquiária também contribuem para melhorar a estrutura do solo e favorecer a retenção de umidade.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Patrícia Resplandes, essas práticas são importantes para aumentar a capacidade das lavouras de enfrentar períodos de deficiência hídrica.
“A adaptação da agricultura às mudanças climáticas começa pelo manejo adequado do solo. Um solo bem estruturado, com boa cobertura vegetal, fertilidade equilibrada e capacidade de armazenar água, permite que as plantas enfrentem melhor os períodos sem chuva”, destacou.

Planejamento do plantio ganha importância na safra 2026/2027
A escolha da época de semeadura também pode fazer diferença nos resultados da safra. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), disponibilizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), permite identificar períodos de plantio com menor risco climático, considerando características como localização, tipo de solo e ciclo das cultivares.
A Seagro recomenda que os produtores considerem essas informações na definição do calendário agrícola e priorizem variedades adaptadas às condições de cada região.
Segundo o diretor de Agricultura, Agronegócio e Pecuária da Seagro, José Américo, a utilização de resultados de pesquisas científicas pode ajudar os agricultores a tomar decisões mais seguras.
“A parceria com a pesquisa nos permite estruturar orientações técnicas que chegam ao campo com aplicabilidade prática, ajudando o produtor a planejar melhor suas safras e a conviver de forma mais resiliente com as oscilações do clima em nosso estado”, afirmou.
Para a safra 2026/2027, diante das previsões de El Niño, a Embrapa apresentou ao Ministério da Agricultura um conjunto de 163 medidas voltadas à redução dos riscos climáticos na agropecuária brasileira.
As orientações reforçam a necessidade de combinar diferentes estratégias de manejo, já que nenhuma tecnologia isolada é capaz de eliminar os riscos associados à irregularidade das chuvas.
Com Leydiane Lima/Governo do Tocantins.











