Déficit de armazenagem faz Mato Grosso do Sul perder R$ 6 bilhões na safra 2024/2025

Estudo aponta impacto bilionário na renda rural, pressão na comercialização e gargalos logísticos em cinco municípios do estado

Déficit de armazenagem faz Mato Grosso do Sul perder R$ 6 bilhões na safra 2024/2025
Ilustrativa

A falta de estrutura para armazenar grãos está custando caro ao produtor brasileiro. Só no Mato Grosso do Sul, o déficit de armazenagem gerou perdas superiores a R$ 6,1 bilhões na safra 2024/2025, segundo levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).

O problema não é recente, mas vem ganhando dimensão à medida que a produção cresce. O resultado é uma combinação preocupante: preços pressionados na colheita, perda de margem e desperdício de valor.

O déficit de armazenagem, que inclui silos, armazéns graneleiros e estruturas portuárias, revela uma lacuna logística que compromete a competitividade do agronegócio brasileiro.

Mesmo com ampliação da capacidade estática entre 2024 e 2025, o Mato Grosso do Sul ainda registra déficit de 12,72 milhões de toneladas, o equivalente a 43,7% da capacidade ideal para atender à safra.

Na prática, isso significa que parte da produção não tem onde ficar.

Sem espaço adequado, muitos produtores são obrigados a vender no momento da colheita — período em que a oferta elevada costuma pressionar as cotações para baixo. Ao vender na baixa para liberar espaço, o produtor reduz sua margem e perde poder de negociação.

Uma questão econômica

O impacto vai além da armazenagem física. Em um mercado de grãos marcado por volatilidade, segurar parte da produção para negociar em momentos mais favoráveis pode representar diferença de dezenas ou até centenas de reais por tonelada.

Sem essa alternativa, o produtor entra no mercado pressionado pela urgência. Vende para evitar prejuízos maiores — e sacrifica rentabilidade.

Além da perda comercial, há o risco físico: deterioração dos grãos, ataque de pragas, fungos e danos causados por calor e umidade.

Municípios mais afetados

Cinco municípios concentram mais de um terço do impacto econômico estimado pelo estudo:

Maracaju: R$ 708,5 milhões

Ponta Porã: R$ 457,9 milhões

Sidrolândia: R$ 401,2 milhões

Dourados: R$ 318,6 milhões

São Gabriel do Oeste: R$ 265,7 milhões

Efeito dominó

O impacto não para no campo.

A pressão de oferta durante a colheita derruba preços, afeta a logística e sobrecarrega portos e terminais. Com estruturas abarrotadas, gargalos se intensificam.

Há reflexos também no crédito rural. Instituições financeiras encontram mais dificuldade para usar estoques como garantia quando a armazenagem é insuficiente ou precária.

Caminhos possíveis

O setor não vê o problema como inevitável. O debate gira em torno de medidas estruturais, como:

Expansão da capacidade de armazenagem agroindustrial e cooperativa;

Linhas de financiamento para construção de silos regionais e unidades menores;

Tecnologias que ampliem a vida útil dos grãos;

Políticas públicas voltadas ao fortalecimento da infraestrutura privada e cooperativista.