Novo projeto no Congresso prevê política de preços mínimos e fundo nacional para o leite
Iniciativa prevê a criação de um instituto federal e de um fundo de desenvolvimento para organizar políticas de preços, fiscalização, comércio exterior e promoção do leite brasileiro.
Com a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional, um dos primeiros projetos ligados ao agronegócio tem como foco a cadeia do leite, setor que atravessa um período de forte pressão econômica.
O Projeto de Lei nº 20/2026propõe a criação do Instituto Nacional do Leite (INL) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite (FNCL). A proposta prevê a estruturação de instrumentos específicos para enfrentar as dificuldades vividas pelos produtores.
O projeto é apresentado em um momento desafiador para a atividade leiteira. Os produtores enfrentam queda no preço pago pelo litro de leite, enquanto os custos de produção seguem elevados. O cenário pressiona a rentabilidade, especialmente entre agricultores familiares. O novo projeto busca organizar uma política específica para a cadeia do leite.
Como funcionaria o Instituto Nacional do Leite?
Pelo texto, o Instituto Nacional do Leite (INL) será uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, com sede em Brasília e atuação em todo o território nacional.
Entre os princípios previstos para o órgão estão:
a segurança alimentar como fundamento da soberania nacional;
a defesa da produção nacional de leite, com foco na sustentabilidade econômica e ambiental;
a proteção do consumidor, garantindo qualidade e informação clara sobre os produtos lácteos;
e a promoção do leite brasileiro no mercado internacional.
Uma das atribuições centrais do INL seria a criação de uma política de preços mínimos para o leite. O instituto ficaria responsável por definir anualmente esses valores, com base em estudos técnicos que considerem custos de produção, inflação e condições do mercado interno e externo.

O texto também autoriza a criação de mecanismos de compensação financeira em períodos de crise, com o objetivo de garantir renda mínima ao produtor e reduzir o abandono da atividade. Além disso, o INL poderia administrar estoques reguladores de leite em pó e derivados considerados estratégicos, função semelhante à desempenhada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em outras cadeias agrícolas.
Na área de fiscalização, o instituto teria a atribuição de monitorar a qualidade sanitária e nutricional dos produtos lácteos, inclusive fora da porteira. A proposta prevê ações para assegurar que o consumidor possa diferenciar claramente produtos puros daqueles que contenham misturas ou aditivos.
No comércio exterior, o INL poderia acompanhar as importações e aplicar medidas contra práticas de dumping, quando houver comercialização a preços abaixo do custo de produção. O órgão também atuaria na promoção das exportações, apoiando abertura de mercados, certificações internacionais e ações de valorização da marca brasileira.
Fundo para financiar a cadeia do leite
Para viabilizar as ações previstas, o projeto cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite (FNCL).
O fundo seria composto por:
recursos do Orçamento da União;
parte da arrecadação de impostos e tarifas sobre importações de lácteos;
contribuições de produtores, indústrias e cooperativas;
convênios e parcerias nacionais e internacionais.
Segundo o texto, os recursos poderão ser destinados ao financiamento de estoques reguladores, políticas de preços mínimos, pesquisa, inovação, assistência técnica, qualificação da cadeia produtiva e promoção internacional do leite brasileiro.
A gestão ficará a cargo do INL, que contará com uma diretoria colegiada de cinco membros, com mandatos fixos, e um Conselho Tripartite de caráter consultivo, formado por representantes dos produtores, da indústria e dos consumidores.
O projeto também prevê atuação coordenada com outros órgãos federais ligados à produção e fiscalização de alimentos, como Anvisa, Conab, Ministério da Fazenda e o Ministério da Agricultura.
Como foi protocolado nesta semana, o texto ainda precisa tramitar pelas comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação em plenário. Se aprovado, poderá alterar a estrutura das políticas públicas voltadas ao setor leiteiro.
As informações são do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.








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