Quebra de safra mantém preços do feijão elevados no primeiro semestre
Menor produtividade e redução da área plantada impulsionam cotações ao produtor, enquanto entrada da segunda safra começa a aliviar mercado do feijão carioca.
As perdas de produtividade nas principais regiões produtoras e a redução da área cultivada sustentaram a valorização do feijão ao longo do primeiro semestre de 2026. Segundo o índice Cepea/CNA, o movimento elevou os preços pagos ao produtor e foi repassado gradualmente ao varejo, tornando os consumidores mais cautelosos nas compras.
Até maio, o feijão carioca acumulou alta entre 85% e 90% nas cotações ao produtor, enquanto os preços ao consumidor avançaram 41,09%. No caso do feijão preto, a valorização chegou a 51,7% na origem e a 13,69% no varejo.
Em junho, o início da colheita da segunda safra contribuiu para uma acomodação dos preços do feijão carioca. Os lotes de padrão superior registraram queda de 9,01%, enquanto os intermediários recuaram 11,24%. Já o feijão preto manteve trajetória de alta devido à oferta restrita após o encerramento da colheita no Paraná. O produto tipo 1 valorizou 3,94% no mês e acumula avanço de 57,6% em 2026.
Nas negociações do feijão carioca peneira 12, ou nota 9,0 ou superior, a maior demanda em São Paulo e no Paraná impulsionou as cotações em Itapeva (SP) e Curitiba (PR), com altas semanais de 3,25% e 3,35%, respectivamente. Em Minas Gerais, por outro lado, a proximidade da nova safra pressionou os estoques remanescentes, provocando recuo de 3,73% nos preços.
As áreas irrigadas do Cerrado seguem no radar do mercado devido às boas condições das lavouras e à expectativa de início da colheita no começo de julho, fator que pode ampliar a oferta e influenciar as cotações nas próximas semanas.
No segmento do feijão carioca de notas 8 e 8,5, o comportamento foi heterogêneo entre as regiões. Em Belo Horizonte (MG), os preços avançaram 5,93%, impulsionados pela comercialização de grãos recém-colhidos, enquanto na Metade Sul do Paraná a maior atratividade dos lotes comerciais resultou em alta de 5,08%.

Em sentido contrário, as cotações recuaram 2,63% em Curitiba (PR) e 0,86% em Sorriso (MT). No Sul e Sudoeste de Minas Gerais, a queda foi de 3,94%, reflexo da liquidação de lotes que perderam qualidade em razão das chuvas. Já no Leste Goiano, os preços recuaram 11,71%, em um movimento de ajuste para níveis mais competitivos em relação às demais regiões produtoras.
No mercado do feijão preto tipo 1, as negociações seguiram pontuais. Em Itapeva (SP), o abastecimento mais confortável das indústrias provocou retração de 2,92% nas cotações, enquanto em Curitiba (PR) a menor presença de compradores resultou em queda de 6,49%. Na Metade Sul do Paraná, contudo, a demanda mais aquecida sustentou alta de 1,17%, mantendo a oferta limitada do produto de melhor qualidade como principal fator de sustentação dos preços.













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