Soja: alta em Chicago eleva atenção do produtor brasileiro
O que pode pressionar preços após a alta
O mercado da soja registrou alta importante nas cotações em Chicago entre o fim de agosto e setembro, enquanto os preços brasileiros também avançaram. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o movimento foi influenciado por especulações climáticas nos Estados Unidos, petróleo acima de US$ 100 por barril, atuação dos fundos e demanda pelo produto brasileiro.
Entre 27 de agosto e 21 de setembro, o preço do bushel de soja em Chicago passou de US$ 12,56 para US$ 13,28. Depois, a cotação recuou parcialmente e fechou a quinta-feira (24) em US$ 13,16, ante US$ 13,19 uma semana antes.
A média de agosto ficou em US$ 11,98 por bushel, com alta de 0,17% em relação à média de julho. O valor, porém, permanece distante dos níveis praticados atualmente no mercado internacional.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, a valorização em Chicago ocorreu em meio às especulações sobre o clima da safra norte-americana, à pressão exercida pelo petróleo e à atuação dos fundos.
O petróleo chegou a pouco mais de US$ 100 por barril em setembro, em um cenário de continuidade da guerra no Oriente Médio e de agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia.
Na Europa, também aumentaram os temores de que o conflito entre Rússia e Ucrânia se espalhe para outras regiões do continente. O material cita ainda que alguns analistas consideram a possibilidade de um conflito mais amplo.
Além desses fatores, a atuação dos fundos em Chicago contribuiu para o movimento das cotações.
Apesar da alta dos preços, os dados de oferta e demanda indicam que a produção norte-americana não sofreu redução na última projeção. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o relatório do USDA divulgado em setembro elevou a estimativa de produção de soja dos Estados Unidos para 123,4 milhões de toneladas.
Os estoques finais norte-americanos foram projetados em 8,4 milhões de toneladas, com pequena redução em relação à estimativa de agosto. A produção mundial foi mantida em 442 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais permaneceram estimados em 124 milhões de toneladas.
No mercado de derivados, o óleo de soja também perdeu força após alcançar 71,28 centavos de dólar por libra-peso em 10 de setembro. No dia 24, a cotação estava em 66,82 centavos, uma das menores desde o fim de junho.
Já o farelo de soja permaneceu firme. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o produto atingiu US$ 375,20 por tonelada curta em 24 de setembro, maior valor desde 11 de julho de 2024.
Outro ponto de atenção está no posicionamento dos fundos em Chicago. Segundo a análise, os investidores estão muito comprados e podem iniciar um movimento de correção caso surja uma oportunidade de venda de contratos.
Uma eventual intensificação desse movimento pode pressionar as cotações da soja para baixo.
Enquanto isso, os embarques norte-americanos apresentaram desempenho positivo. Na semana encerrada em 17 de setembro, os Estados Unidos embarcaram 759,2 mil toneladas de soja, volume ligeiramente acima das expectativas do mercado.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 565,6 mil toneladas, houve crescimento de aproximadamente 34%. A China respondeu por 59% dos embarques realizados na semana.

A colheita da soja nos Estados Unidos também avançou. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, 12% da área havia sido colhida até 20 de setembro, contra 8% na média histórica.
No Brasil, os preços da soja permaneceram firmes e apresentaram alta no período analisado. No Rio Grande do Sul, onde diversas praças estão sem cotação, a média semanal chegou a R$ 141,72 por saca.
No fim de agosto, a média gaúcha estava em R$ 131,38 por saca. Com isso, o produtor do Estado recebeu pouco mais de R$ 10 a mais por saca no período.
Nas demais praças brasileiras, os preços oscilaram entre R$ 139 e R$ 145 por saca. Um mês antes, os valores estavam entre R$ 130 e R$ 140.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, a valorização ficou entre R$ 5 e R$ 9 por saca no período, dependendo da região.
A demanda pelo produto brasileiro, a relativa escassez durante a entressafra e a valorização dos prêmios nos portos contribuíram para sustentar os preços internos.
Em Paranaguá, o prêmio para setembro chegou a US$ 1,85 por bushel. O câmbio, próximo de R$ 5,15 por dólar, também ajudou a dar sustentação às cotações brasileiras.
No mercado externo, as atenções estão voltadas para a reunião entre os presidentes da China e dos Estados Unidos. Xi Jinping chegou à capital norte-americana nesta quinta-feira (24).
Entre os assuntos em discussão está a possibilidade de aumento das compras de soja norte-americana pela China. Segundo a análise, uma eventual ampliação das compras pode fortalecer as cotações em Chicago.
No Brasil, outro ponto de atenção é o início do plantio da nova safra de soja em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Até 18 de setembro, 0,5% da área esperada para o país havia sido semeada.
Em Mato Grosso, porém, a umidade do solo ainda é considerada insuficiente para um plantio adequado, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário.
Apesar de terem perdido parte do fôlego nos últimos dias, os preços da soja seguem firmes nos portos brasileiros.
Para a soja disponível, as cotações permanecem acima de R$ 160 por saca. Já a soja da safra 2026/27 continua sendo negociada acima de R$ 150 nos portos.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, os valores chegam a R$ 155 por saca para entrega em fevereiro e pagamento em abril, e a R$ 151 para entrega em março, também com pagamento em abril.
O cenário combina alta recente em Chicago, preços firmes no mercado brasileiro e fatores que podem alterar o comportamento das cotações nas próximas semanas, como a evolução da colheita norte-americana, o posicionamento dos fundos, as compras chinesas e o avanço do plantio brasileiro.













