Pecuaristas seguem mandando no jogo, fortalecendo o viés de alta nos preços da arroba do boi gordo

Oferta enxuta de gado e a dificuldade da indústria para ampliar as programações de abate reduzem o espaço para movimentos de baixa, observam os analistas da Agrifatto

Pecuaristas seguem mandando no jogo, fortalecendo o viés de alta nos preços da arroba do boi gordo
ilustrativa

O ritmo de negócios envolvendo boiadas gordas seguiu moderado nesta quinta-feira (13/8), com a oferta restrita de animais terminados preservando o poder de barganha dos pecuaristas e sustentando os preços da arroba na maioria absoluta das praças brasileiras, informam os analistas da Agrifatto.

Na ponta compradora, relata a consultoria, os frigoríficos ainda encontram dificuldade para alongar as escalas de abate, que permanecem curtas, embora estabilizadas em 6 dias úteis, na média nacional.

“Esse quadro mantém a arroba firme mesmo diante do menor consumo doméstico já na aproximação da segunda quinzena”, observam os analistas da Agrifatto, que reforçam: “A oferta enxuta de gado terminado e a dificuldade da indústria para ampliar as programações de abate reduzem o espaço para movimentos de baixa e seguem como principal fundamento de sustentação do mercado”.

Na avaliação da Scot Consultoria, em São Paulo, a oferta de boiadas e a procura pela matéria-prima estão equilibradas. “Os frigoríficos negociam com cautela, comprando apenas o necessário para manter as escalas confortáveis, que atendem, em média, a 8 dias”, relata a Scot.

Porém, diz a consultoria, o escoamento da carne no mercado interno paulista está lento, o que limita espaço para novas altas nas cotações da arroba.

Pelos dados da Scot, no interior de’ São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 350/@, o “boi China” em R$ 352/@, a vaca gorda em R$ 325/@ e a novilha terminada em R$ 337/@ (valores brutos, no prazo).

Mercado futuro segue com preços em ascensão

Na B3, os contratos do boi gordo encerraram a sessão da quarta-feira (12/8) em alta pelo terceiro dia seguido.

O papel com vencimento em outubro/26 fechou o pregão cotado a R$ 360,20/@, um ligeiro aumento de 0,18% em relação ao pregão anterior.

“Os avanços consecutivos dos contratos futuros reforçam a percepção de firmeza”, diz a Agrifatto, acrescentando: “Embora não antecipem, necessariamente, uma arrancada das cotações no mercado físico, indicam expectativas positivas em um período sazonalmente menos favorável ao consumo doméstico de carne bovina.”

Exportação de carne bovina in natura recua

Na primeira semana de agosto/26, o volume exportado pelo Brasil de carne bovina in natura atingiu 52,4 mil toneladas, com uma média diária de 10,5 mil toneladas, o que representou uma queda de 17,9% frente ao embarcado diariamente, em média, em agosto de 2025, informou a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Porém, no mesmo período analisado, a cotação média da tonelada embarcada ficou em US$ 6,2 mil, com alta de 10,5% na comparação com o valor médio obtido em agosto do ano passado.