Carne bovina: Brasil reacende aposta na Coreia do Sul, que paga US$ 10 mil/t para cortes resfriados

Técnicos sul-coreanos estão em missão no País com o objetivo inspecionar de perto os frigoríficos exportadores brasileiros

Carne bovina: Brasil reacende aposta na Coreia do Sul, que paga US$ 10 mil/t para cortes resfriados
ilustrativa

A Coreia do Sul iniciou na terça-feira (11/8) uma missão sanitária no Brasil para inspecionar frigoríficos de carne bovina e avaliar o sistema de fiscalização, um importante passo para a almejada abertura comercial do “valioso” mercado sul-coreano, que paga pela commodity preços bem superiores aos negociados outros grandes países importadores.

A missão prevê visitar frigoríficos em Estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, uma jornada prevista para se encerrar em 20 de agosto (quarta-feira).

“O mercado da Coreia figura entre os que mais pagam pela proteína bovina, com preços médios de US$ 6,4 mil a US$ 6,5 mil por tonelada (congelada) e superiores a US$ 10 mil por tonelada para cortes resfriados”, informa a Agrifatto, que divulgou nesta quinta-feira (13/8) um relatório aos seus assinantes específico sobre o tema.

Trata-se de uma pauta bastante antiga da indústria brasileira, assim como as negociações que se arrastam envolvendo o mercado de carne do Japão.

Em 27 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente da Coreia do Sul, em Brasília. Na ocasião, os governos de ambos os países assinaram cinco acordos de cooperação, e a importação de carne bovina brasileira esteve entre os temas abordados nas negociações bilaterais.

Antes da reunião no Brasil, os dois presidentes haviam se encontrado em Seul em fevereiro/26, quando assinaram um plano de ação de quatro anos para o período de 2026 a 2029, concordando que a Coreia avaliaria os riscos da importação de carne bovina brasileira.

A Agrifatto lembra que, em 2025, o Brasil cumpriu um dos principais requisitos exigidos pelos coreanos, ao obter junto o reconhecimento de país livre de febre aftosa sem vacinação.

No entanto, concluída a missão no País, ainda restarão etapas documentais e trâmites internos do governo sul-coreano, sem prazo definido. “O consenso do setor é que a primeira exportação dificilmente ocorre antes de 2027”, adiantam os analistas da Agrifatto,

Consumo da carne cresce na Coreia do Sul

Com cerca de 52 milhões de habitantes, o país apresenta perfil de consumo premium, sustentado mais pela qualidade alimentar do que pelo crescimento populacional.

Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o consumo doméstico da Coreia avançou de 720 mil toneladas, em 2015, para 950 mil toneladas em 2025, com projeção de 955 mil toneladas em 2026.

A produção interna, informa a Agrifatto, atingiu cerca de 360 mil toneladas em 2025, tornando o país altamente dependente de importações para suprir sua demanda.

Em 2025, a Coreia do Sul importou 580 mil toneladas de carne bovina, e 62% de toda a proteína consumida no país no ano passado veio de origem externa, destaca a consultoria.

Segundo estima a Agrifatto, em um cenário conservador, a participação brasileira entre 5% e 10% das importações sul-coreanas representaria de 30 mil a 60 mil toneladas adicionais ao ano, com impacto mais relevante em faturamento do que em volume.

“O país não substitui a China, mas contribui para diversificação e valorização da pauta exportadora”, observam os analistas da Agrifatto.

Detalhes sobre o mercado sul-coreano

De acordo com apuração da Agrifatto, a Coreia do Sul tem forte preferência por carne in natura, especialmente resfriada, com destaque para os cortes do bulgogi (alcatra e contrafilé fatiados) e do galbi (costela).

“O Brasil tende a competir principalmente nos segmentos de cortes dianteiros e industriais, em que o custo de produção compensa a desvantagem tarifária”, relata a consultoria, acrescentando que, nos cortes nobres, a concorrência com a carne norte-americana de confinamento é mais difícil.

Segundo a Agrifatto, os principais fornecedores ao país asiático são EUA, com tarifa zero, e Austrália, que em 2026 esgotou sua cota preferencial de 196 mil toneladas já em julho, passando a operar com tarifa de 24% no segundo semestre.

“Esse esgotamento abre janela relevante para novos fornecedores”, dizem os analistas. O Brasil entraria sob a tarifa MFN de 40%, prevê a Agrifatto, mas a carne chegaria mais barata ao mercado sul-coreano.

“Estimativas de paridade de importação colocam a carne brasileira em torno de US$ 7.252 por tonelada, 10% abaixo da australiana (US$ 7.993) e 21% abaixo da americana (US$ 8.750)”, contabiliza a Agrifatto.