Brasil salta do 31º para o 2º lugar no ranking mundial de exportação de sebo bovino

Remessas do subproduto ganharam relevância graças às mudanças na política energética de biocombustíveis dos EUA, que desenvolveram uma indústria de diesel renovável de porte considerável

Brasil salta do 31º para o 2º lugar no ranking mundial de exportação de sebo bovino
ilustrativa

Em 2015, o Brasil ocupava a 31ª posição no ranking dos países exportadores de sebo bovino, com menos de 1.000 toneladas embarcadas por ano. Hoje, o País é o segundo maior exportador mundial de gordura bovina, com os embarques atingindo 402.000 toneladas em 2025 (veja gráficos ao final deste texto).

Os dados acima foram apresentados pelos economistas da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), que também destacaram o avanço das exportações argentinas de sebo bovino ao longo da última década.

No caso da Argentina, os embarques atingiram 154.808 toneladas em 2025 (equivalente a US$ 125,2 milhões) – um aumento de mais de 20 vezes em relação ao volume de sebo bovino registrado há 10 anos, de 6.819 toneladas.

Com isso, a Argentina alcançou, em 2025, o quarto lugar no comércio global de sebo bovino – atrás da Austrália, Brasil e do Canadá –, com uma participação de 7,8% no mercado, ante a 15ª posição (participação de 0,4%) registrada em 2015.

Segundo a BCR, as remessas de sebo bovino dos dois países da América do Sul ganharam relevância graças às mudanças na política energética de biocombustíveis dos EUA, que “remodelaram completamente o mapa de um mercado anteriormente marginal no comércio agroindustrial”.

“Durante séculos, o sebo teve um destino previsível: sabonetes, cosméticos, velas e ração animal… mercados de valor moderado, estáveis ​​e com pouca concorrência”, afirmam os analistas da BCR.

No entanto, o isso começou a mudar na última década, sobretudo desde 2020, quando os EUA desenvolveram uma indústria de diesel renovável de porte considerável.

De acordo com dados da Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês), a produção aumentou de aproximadamente 7,2 milhões de barris por ano no final de 2018 para 69,4 milhões de barris por ano em 2025, com a maior parte da expansão concentrada em 2022 e 2023.

Por sua vez, o consumo de sebo bovino para biocombustíveis nos EUA subiu de cerca de 75.000 toneladas por mês em 2021 para um pico de quase 450.000 toneladas no final de 2025 – um crescimento de mais de 720% em menos de cinco anos.

Segundo a BCR, ao contrário do biodiesel tradicional, o diesel renovável é produzido por meio de hidrotratamento e é quimicamente equivalente ao diesel fóssil, permitindo seu uso sem limites de mistura.

“Essa característica expandiu o mercado potencial e impulsionou a conversão de refinarias de petróleo existentes, o que aumentou a capacidade de processamento e passou a demandar volumes significativos de óleos e graxas”, explica a bolsa.

Nos últimos anos, o volume global de importações de sebo bovino permaneceu relativamente estável, em torno de 2 milhões de toneladas anuais, embora com algumas flutuações. O que mudou foi a composição dessa demanda, observam os analistas da BCR.

Os Estados Unidos, que no início do período representavam uma parcela marginal das importações globais, passaram a representar mais da metade em 2025. Enquanto isso, todos os outros destinos reduziram constantemente suas compras.

“Esses dados sugerem que grande parte do sebo anteriormente utilizado na fabricação de sabão, oleoquímicos e ração animal foi realocada para novos usos relacionados à energia”, ressaltam os analistas.

Enquanto isso, continua a BCR, deixando de ser um resíduo de baixo custo, o sebo foi parcialmente substituído nessas aplicações tradicionais por outras matérias-primas, como derivados sintéticos ou de origem vegetal, para a produção de sabão.

EUA caem de 2º para 6º colocados no ranking de exportação

Do lado da oferta, a mudança foi igualmente marcante. Os Estados Unidos, que eram o segundo maior exportador mundial em 2015, caíram para o sexto lugar em 2025. Isso porque, diz a BCR, o país começou a reter sua própria produção para abastecer sua indústria de combustíveis, abrindo espaço sobretudo para fornecedores do Brasil e da Argentina.