Soluções nutricionais ganham espaço na produção animal com restrições ao uso de antimicrobianos

Tecnologias biotecnológicas avançam na avicultura e na suinocultura para manter desempenho produtivo e atender às exigências dos mercados internacionais

Soluções nutricionais ganham espaço na produção animal com restrições ao uso de antimicrobianos
ilustrativa

Foto: Milton Dória

A restrição ao uso de antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal tem acelerado a adoção de soluções nutricionais baseadas em biotecnologia no Brasil. Impulsionado por mudanças regulatórias e pelas exigências dos mercados importadores, o setor busca alternativas capazes de preservar a eficiência produtiva sem comprometer a rentabilidade das granjas.

Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria SDA/MAPA nº 1.617, que proibiu o uso de cinco antibióticos como melhoradores de desempenho na produção animal. A norma também prevê a limitação gradual do uso de microminerais em altas doses, como zinco e cobre, tradicionalmente empregados como promotores de crescimento, especialmente na suinocultura.

Segundo o médico veterinário Arthur Perches, gerente de vendas da Alltech, a demanda por programas nutricionais alternativos já vinha crescendo, principalmente entre agroindústrias voltadas à exportação.

"Quase todas as agroindústrias trabalham com alguma porcentagem da sua produção para exportação. Dependendo do mercado para o qual a empresa exporta, ela é obrigada a utilizar programas nutricionais sem nenhum promotor de crescimento", afirma.

De acordo com o especialista, a substituição dos antimicrobianos exige planejamento integrado entre manejo, sanidade e nutrição para evitar perdas produtivas.

Estudos científicos apresentados pela empresa indicam que soluções biotecnológicas podem alcançar desempenho semelhante ao obtido com programas convencionais baseados em antibióticos. Na avicultura, uma meta-análise publicada na revista Animals em 2024, reunindo 27 estudos, apontou que o uso de uma solução rica em mananos esteve associado ao aumento do peso corporal, melhora da conversão alimentar, redução da mortalidade e menor necessidade de antibióticos.

Na suinocultura, pesquisa publicada no Journal of Animal Science and Biotechnology mostrou que a utilização de um mineral orgânico à base de cobre proporcionou maior ganho de peso, melhor conversão alimentar, redução da incidência de diarreia e menor excreção ambiental quando comparado às fontes convencionais do mineral. Segundo a empresa, a tecnologia também contribui para reduzir a pressão relacionada ao desenvolvimento de resistência antimicrobiana.

A Alltech informa que desenvolve programas personalizados para apoiar produtores e agroindústrias na transição para sistemas com menor uso de antimicrobianos, conciliando desempenho zootécnico, sustentabilidade e atendimento às exigências regulatórias dos mercados internacionais. As soluções serão apresentadas durante o Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), que acontece de 4 a 6 de agosto, em São Paulo.