Preço do etanol sobe com chuvas que atrasam produção e aumento da demanda no Brasil
Excesso de chuvas dificulta a moagem da cana-de-açúcar e reduz a oferta do combustível; vendas de etanol hidratado podem atingir o maior volume da safra 2026/27
s preços do etanol continuam em alta neste final de outubro, impulsionados pela redução da oferta e pelo aumento da demanda em importantes regiões produtoras do Brasil. Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (27) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as chuvas acima da média têm prejudicado a moagem da cana-de-açúcar e dificultado o abastecimento do mercado.
A valorização é observada no mercado paulista e em outros estados produtores. Com o ritmo mais lento de processamento da cana, as usinas enfrentam dificuldades para ampliar a produção de etanol, enquanto as distribuidoras aumentam as compras para atender ao consumo.
De acordo com pesquisadores do Cepea, as condições climáticas também podem provocar atrasos no encerramento da safra 2026/27. A expectativa é de que uma quantidade expressiva de cana permaneça no campo para ser processada somente no próximo ano, situação conhecida no setor como cana bisada.
Vendas de etanol podem atingir maior volume da safra
Mesmo com as dificuldades na produção, a procura pelo combustível permanece aquecida. Um dos fatores é a relação favorável entre os preços da gasolina e do etanol nos postos, que tem estimulado o consumo do biocombustível.
As distribuidoras também estão reforçando as compras diante da preocupação com a disponibilidade do produto nos próximos meses.
Segundo o Cepea, o volume de etanol hidratado comercializado pelas usinas na parcial de outubro já ultrapassou o total registrado em setembro. A expectativa é de que as vendas cheguem a aproximadamente 350 milhões de litros, o maior volume mensal do ciclo 2026/27 até o momento.

O etanol hidratado é aquele vendido diretamente nos postos para abastecimento de veículos. Já o etanol anidro é utilizado na mistura obrigatória à gasolina.
Excesso de chuva também prejudica qualidade da cana
Além de atrasar a colheita e a moagem, o excesso de precipitações tem afetado a qualidade da matéria-prima utilizada pelas usinas.
Segundo pesquisadores do Cepea, o volume elevado de chuvas compromete o acúmulo de açúcar na cana, reduzindo o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador utilizado para medir a quantidade de açúcar que pode ser aproveitada na produção de açúcar e etanol.
Essa redução pode afetar o rendimento industrial e aumentar a preocupação das empresas com o cumprimento dos contratos de fornecimento de etanol anidro.
Com a oferta mais restrita e a demanda aquecida, o mercado segue atento ao comportamento das chuvas e ao ritmo da moagem nas próximas semanas.
A continuidade das dificuldades na produção poderá manter os preços do etanol pressionados, embora o impacto sobre os valores cobrados nos postos dependa também dos custos de distribuição, dos estoques disponíveis e das condições de cada mercado regional.











