Carne bovina irlandesa perde participação no Reino Unido para importações do Brasil e da Austrália
A participação da Irlanda no mercado britânico da proteína bovina caiu para 67 porcento em 2025, ante a posição histórica de 80 porcento, destaca reportagem local
Alertas contundentes foram emitidos nesta semana sobre as mudanças drásticas no mercado de carne bovina do Reino Unido, que minam a posição antes dominante da Irlanda como fornecedora de quase 80% de todas as importações de carne bovina do país, informou reportagem publicado no portal irlandês Agriland.
Philip Carroll, presidente da Meat Industry Ireland (MII), associação do setor que representa os principais processadores de carne bovina, suína e ovina, disse que a Irlanda está “mais vulnerável” à entrada de produtos de menor custo no mercado britânico.
“Os acordos de livre comércio pós-Brexit do Reino Unido com a Austrália e a Nova Zelândia – combinados com o aumento das importações brasileiras – alteraram significativamente o cenário das exportações de carne bovina irlandesa”, disse o executivo.
Carroll destacou que a participação da Irlanda no mercado do Reino Unido caiu para 67% em 2025, ante a posição histórica de 80%.
“A carne bovina importada da Austrália, Nova Zelândia e Brasil ganhou participação de mercado britânico”, ressaltou.
Segundo ele, as importações de carne bovina australiana para o Reino Unido aumentaram mais de 400%, oferecendo uma alternativa significativamente mais barata à carne bovina irlandesa alimentada a pasto.
Em relação ao Reino Unido, a indústria da carne bovina está enfrentando um desequilíbrio na oferta de carcaças, impulsionado pelo comportamento do consumidor.
De acordo com a reportagem, o setor de carne bovina irlandês é voltado para a exportação, com 90% da produção vendida em mercados internacionais.
Os embarques de carne bovina da Irlanda dispararam para € 3,5 bilhões em 2025, um aumento de 23% em relação a 2024, embora os volumes tenham ficado 40.000 toneladas abaixo da média da última década.

Carroll afirmou que esse aumento foi impulsionado por “condições inflacionárias de curto prazo no mercado”.
Ele detalhou que as exportações para os mercados da UE aumentaram 28%, o que representou um adicional de € 1,6 bilhão no ano passado, com maior demanda por carne bovina de primeira, carne moída e carne para processamento, enquanto os cortes primários de maior valor diminuíram.
No entanto, as exportações para outros mercados internacionais caíram para € 135 milhões, já que, segundo Carroll, “os compradores se concentraram em fornecedores mais próximos de casa”. Ele acrescentou: “Isso refletiu uma crescente diferença de preços entre a Irlanda e a UE em comparação com os fornecedores internacionais”.











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