Alerta de El Niño acende sinal de risco no agro de mt com calor extremo e queimadas

Boletim de risco de fogo projeta temperaturas de até 45°C entre agosto e outubro, período crítico para colheita do milho safrinha e preparo das lavouras de soja

Alerta de El Niño acende sinal de risco no agro de mt com calor extremo e queimadas
Ilustrativa

O agronegócio de Mato Grosso começa a se mobilizar diante de um cenário climático preocupante. A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, emitiu um alerta de El Niño com 82% de chance de formação entre maio e julho de 2026. A projeção acendeu o alerta para o segundo semestre no maior estado produtor de grãos do país. As previsões indicam temperaturas extremas e risco elevado de queimadas justamente na janela mais sensível do calendário agrícola.

O Boletim de Risco de Fogo da consultoria GMG Ambiental trouxe números que chamam a atenção de quem vive da terra. As temperaturas devem oscilar entre 44°C e 45°C nos meses de agosto a outubro, com destaque para o período entre 12 e 26 de agosto. É aí que a coisa aperta para o produtor rural. Marcelo Romão, analista de Risco de Fogo da GMG Ambiental, fez um alerta direto. Os municípios de Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Nova Mutum e Querência estão na rota crítica dos incêndios. Setembro promete ser o ápice, com potencial para quebrar recordes históricos de temperatura e focos de calor. Em outubro, a região metropolitana de Cuiabá deve amargar dias de muita fumaça e termômetros passando dos 40°C.

A verdade é que os focos de calor podem subir entre 30% e 80% acima da média histórica. Para ter ideia, 2020 e 2024 já foram anos críticos para queimadas no estado. Agora o cenário pode ser ainda mais severo. A umidade relativa do ar tem previsão de cair abaixo de 12%, nível considerado de emergência pela Organização Mundial da Saúde.

Lavoura de graos sob impacto climatico de calor extremo e El Nino no Brasil central

Alerta no calendário agrícola e seus impactos na safra, pastagens e logística

Esse pacote climático adverso cai justamente em cima do calendário do campo. Agosto é o período de colheita do milho safrinha, uma das principais culturas do estado. Com temperaturas extremas e risco de queimadas, a operação no campo fica comprometida. Setembro e outubro marcam a preparação do solo e o plantio da soja, atividades que exigem condições adequadas de umidade e planejamento.

Só que não são só as lavouras que sofrem. As pastagens secas elevam o risco para a pecuária, que já enfrenta desafios com a estiagem prolongada. A situação também pode afetar o escoamento da produção. A fumaça intensa e os focos de incêndio próximos às rodovias BR-163 e BR-364 ameaçam a logística de transporte dos grãos. Pois é, o produtor precisa se preparar para um período de aperto em várias frentes.

O que o produtor pode fazer com prevenção, tecnologia e seguro

Diante desse quadro, a recomendação é agir antes que o fogo chegue. A manutenção de aceiros nas propriedades é medida básica e urgente. As queimas controladas para limpeza de pastagens precisam ser totalmente suspensas durante o período de maior risco. Equipamentos de combate devem ficar prontos e as brigadas precisam estar treinadas e mobilizadas.

 

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Detalhe importante. O Governo de Mato Grosso disponibiliza a Plataforma Orion, ferramenta de monitoramento em tempo real que ajuda o produtor a acompanhar as condições de risco na sua região. Quem ainda não contratou seguro rural pode encontrar agora um bom momento para rever essa decisão. A verdade é que prevenção sai mais barata do que remediar depois que o estrago está feito.

O momento exige planejamento e olho no clima. O agro mato-grossense já mostrou resiliência em outras crises. Agora o recado é claro. Quem se antecipar vai sofrer menos.

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