Agricultura brasileira cresce 33 vezes mais que a europeia e supera grandes potências mundiais, aponta estudo
Entre 2011 e 2023, produção agrícola do Brasil avançou 3,3porcento ao ano, contra apenas 0,1porcento da União Europeia; levantamento da Bayer alerta para riscos de perda de competitividade na Europa
O Brasil está entre os países que mais ampliaram a produção agrícola nos últimos anos, superando economias como Estados Unidos, China, Canadá e Índia. Entre 2011 e 2023, o setor agrícola brasileiro registrou crescimento médio anual de 3,3%, enquanto a União Europeia avançou apenas 0,1% no mesmo período.
Os dados fazem parte de um estudo encomendado pela Bayer, empresa que atua no desenvolvimento de sementes e defensivos agrícolas, com análise econômica da Oxford Economics. As informações foram divulgadas pelo portal Globo Rural.
O levantamento aponta que a União Europeia e o Reino Unido correm o risco de perder ainda mais competitividade no mercado agrícola internacional caso não acelerem o acesso dos produtores a novas tecnologias.
Na comparação internacional, os Estados Unidos registraram crescimento médio anual de 1%, enquanto a média mundial ficou em 2%. China, Canadá e Índia apresentaram taxas entre 2% e 3%, abaixo do desempenho brasileiro.
A pesquisa também reuniu informações de mais de 8 mil consumidores e entrevistas com agricultores de oito mercados europeus.
Mudanças climáticas e custos pressionam agricultura europeia
Entre os principais desafios enfrentados pelos agricultores europeus estão o aumento dos custos de produção, as mudanças climáticas e as dificuldades de acesso a tecnologias utilizadas em outros mercados.
Segundo o estudo, os eventos climáticos provocam perdas estimadas em 17,4 bilhões de euros por ano na agricultura da União Europeia, valor equivalente a 6,4% da produção agrícola do bloco.
A projeção é de que esses prejuízos aumentem até 2050, podendo alcançar entre 24,8 bilhões e 28,9 bilhões de euros anuais.
O relatório aponta que produtores de países concorrentes têm acesso mais rápido a tecnologias de sementes, produtos para proteção de culturas e ferramentas digitais, fatores que podem contribuir para ganhos de produtividade e maior capacidade de enfrentar condições climáticas adversas.
Restrições tecnológicas preocupam produtores
Outro ponto destacado pela pesquisa é a redução das opções de defensivos agrícolas disponíveis na União Europeia.
No início dos anos 2000, mais de mil ingredientes ativos estavam autorizados para utilização no bloco europeu. Atualmente, esse número caiu para aproximadamente 420.
Somente nos últimos sete anos, os agricultores perderam acesso a 92 ingredientes ativos, enquanto apenas um novo ingrediente ativo sintético chegou ao mercado europeu no mesmo período.
O Reino Unido apresenta uma situação diferente desde sua saída da União Europeia. A partir de 2022, o país aprovou quatro novos ingredientes ativos que ainda não receberam autorização no bloco europeu ou permanecem em análise.
O mercado britânico também mantém a autorização de 15 ingredientes ativos utilizados na proteção de culturas cujas licenças foram encerradas ou proibidas na União Europeia após o Brexit.
Entretanto, discussões sobre um possível alinhamento das regras britânicas às normas europeias podem resultar na revisão dessas autorizações, com possíveis impactos sobre a produtividade e a renda dos agricultores.

Acesso à inovação pode definir competitividade agrícola
De acordo com a Oxford Economics, a velocidade de aprovação e adoção de novas tecnologias pode influenciar diretamente a capacidade dos países de manter a competitividade agrícola.
O estudo identifica processos regulatórios demorados, exigências administrativas crescentes e dificuldades para incorporar inovações como obstáculos enfrentados pelos produtores europeus.
A avaliação é de que regras mais previsíveis, associadas à manutenção dos padrões de segurança, poderiam facilitar o desenvolvimento e a utilização de novas soluções no campo.
Os resultados também evidenciam a diferença no ritmo de expansão da produção agrícola entre o Brasil e a Europa. Enquanto o setor brasileiro apresentou uma das maiores taxas de crescimento entre os países analisados, a agricultura europeia permaneceu praticamente estagnada no período.











