DDGS ganha espaço na pecuária e pode virar nova commodity do agro
Expansão do etanol de milho amplia oferta de DDGS no Brasil, enquanto a Inpasa investe em pesquisa, tecnologia e marca para diferenciar o produto na nutrição animal
Rafael Verruck, diretor de Trading M.I Óleo e DDGS da Inpasa, afirma que o DDGS já é considerado uma commodity em nível global. (Foto - Fabio Manzini)
16deMarçode2026ás10:05
O crescimento da indústria de etanol de milho no Brasil tem impulsionado a oferta de DDGS, grãos secos de destilaria com solúveis, e ampliado o uso do insumo na nutrição animal.
Já consolidado em confinamentos bovinos, o produto começa a ganhar espaço em outras cadeias da produção animal e pode se tornar uma nova commodity relevante do agronegócio brasileiro.
A avaliação é de Rafael Verruck, diretor de Trading M.I Óleo e DDGS da Inpasa, que falou à reportagem durante evento de lançamento da marca FortiPro, nova linha de nutrição animal da empresa.
“O DDGS hoje, a nível global, já é considerado uma commodity. A única diferença é que ele ainda não tem uma precificação em bolsa”, afirmou Verruck.
Segundo o executivo, a expansão da produção de etanol de milho no Brasil e o aumento da oferta do coproduto devem consolidar ainda mais o mercado do insumo no país.
Uso já consolidado na pecuária de corte
O DDGS é obtido durante o processo de fermentação do milho para produção de etanol. No processo industrial, os componentes do grão que não são convertidos em álcool — como proteínas, fibras e lipídios — permanecem concentrados no produto final, que passa a ser utilizado na alimentação animal.
De acordo com Verruck, o ingrediente já está amplamente difundido em sistemas intensivos de produção, especialmente na pecuária de corte.
“Hoje os grandes confinamentos, na sua essência, todos já utilizam esse insumo. A pecuária de corte olha para o DDGS com muito bons olhos, tanto pelas características técnicas quanto pela disponibilidade do produto ao longo do ano”, disse.
O executivo destaca que, além da proteína, o insumo também fornece energia à dieta dos animais, podendo substituir parcialmente ingredientes tradicionais, como milho e farelo de soja.
“Ele não é só uma proteína. Ele também tem extrato etérico, que é uma energia utilizada na dieta e ajuda a compor a formulação nutricional”, explicou.
Produto disponível o ano todo
Outro fator que tem impulsionado a adoção do DDGS no Brasil é a disponibilidade contínua do produto, ao contrário de insumos agrícolas sujeitos à sazonalidade das safras.
Segundo Verruck, essa característica muda a dinâmica de abastecimento dentro das propriedades.
“Quando você tem um insumo disponível 12 meses por ano, 365 dias, o produtor não precisa fazer grandes investimentos em armazenamento para garantir oferta na entressafra. O produto sai da usina e chega diretamente à propriedade ou à fábrica de ração”, afirmou.
Essa regularidade, na avaliação do executivo, contribui para reduzir custos logísticos e melhorar o planejamento nutricional dentro dos sistemas produtivos.
Expansão para suínos e aves
Embora já consolidado na pecuária de corte, o DDGS ainda possui potencial de crescimento em outras cadeias da proteína animal, como suinocultura e avicultura.
De acordo com Verruck, a limitação atual não está relacionada ao produto em si, mas à necessidade de ampliar estudos e disseminar informações técnicas sobre sua aplicação.
“A falta de informação da cadeia toda ainda é um grande desafio do mercado”, afirmou.
Hoje, segundo ele, o nível de inclusão do ingrediente nas dietas de aves e suínos ainda é relativamente baixo.
“No Brasil, as dietas desses segmentos normalmente utilizam entre 3% e 5% de DDGS. Em alguns casos, com estudos mais aprofundados, esse nível pode chegar a até 25% de inclusão”, disse.
Crescimento impulsionado pelo etanol de milho
O avanço do DDGS está diretamente ligado à expansão da indústria de etanol de milho no país, que tem ampliado significativamente a oferta do coproduto.
A Inpasa, considerada a maior biorrefinaria de grãos da América Latina, possui capacidade instalada de 6,2 bilhões de litros de etanol por ano e produção anual de cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS, exportadas para diversos mercados internacionais, incluindo países da Ásia, como Vietnã e Tailândia, além de destinos no Oriente Médio e na Europa.
Fundada no Paraguai em 2006 e presente no Brasil desde 2018, a companhia opera oito unidades industriais — seis no Brasil e duas no Paraguai — e possui novas plantas em expansão no país, com projetos em Rio Verde (GO), Rondonópolis (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA).
Segundo Verruck, todas as unidades da empresa produzem DDGS como parte do processo industrial.

“O DDGS faz parte do nosso processo produtivo padrão. Todas as unidades que implementamos produzem o produto”, afirmou.
Marca própria busca diferenciar o produto
Em meio ao crescimento do mercado, a Inpasa decidiu lançar a marca FortiPro para consolidar a identidade do produto e reforçar os padrões de qualidade associados à produção.
Segundo Verruck, o objetivo é diferenciar o insumo em um mercado onde diferentes tipos de grãos de destilaria são produzidos.
“Quando trazemos a marca FortiPro, estamos levando padrão de qualidade, padrão de fornecimento e controles existentes dentro da nossa cadeia produtiva”, afirmou.
De acordo com a empresa, o produto possui concentração mínima de 32% de proteína bruta, além de alta digestibilidade e matriz nutricional estável ao longo do ano.
Investimentos em pesquisa e controle de qualidade
A companhia também tem ampliado investimentos em pesquisa e controle de qualidade para consolidar o posicionamento do produto no mercado.
Segundo Verruck, os aportes em pesquisa e desenvolvimento já ultrapassam mais de R$ 10 milhões.
“Também investimos cerca de R$ 4,5 milhões em um laboratório de referência voltado à análise de micotoxinas e contaminantes”, afirmou.
O laboratório permitirá realizar mais de 700 tipos de análises, incluindo micotoxinas e contaminantes presentes no milho e no produto final.
Impactos geopolíticos ainda são incertos
Verruck também comentou os possíveis impactos das tensões geopolíticas recentes sobre o setor de biocombustíveis e cadeias relacionadas.
Segundo ele, ainda é cedo para mensurar efeitos diretos sobre o mercado de DDGS.
“Estamos falando de um conflito muito recente. Ainda é cedo para medir impactos concretos, mas sem dúvida o principal fator de influência global é o petróleo”, afirmou.








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