Soja tem previsão de exportação reduzida, mas milho pode crescer mais de 20porcento em outubro
Novas estimativas da Anec mostram comportamentos diferentes para os dois principais grãos da pauta exportadora brasileira
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou as estimativas de exportação de grãos do Brasil para outubro de 2026. Enquanto a previsão de embarques de soja foi reduzida em 2,2%, a expectativa para o milho aumentou 7,2% em relação à semana anterior. Os dados fazem parte do relatório semanal da entidade, elaborado com informações da Cargonave.
Para a soja, a projeção passou de 6,55 milhões para 6,40 milhões de toneladas, volume equivalente ao registrado em outubro de 2025. Já o milho apresentou movimento contrário, com estimativa elevada de 6,41 milhões para 6,87 milhões de toneladas.
Caso a previsão se confirme, as exportações de milho terão crescimento de 20,7% em relação a outubro do ano passado, quando foram embarcadas 5,69 milhões de toneladas. Na comparação com setembro deste ano, o avanço previsto é de 29,3%.
Exportações acumuladas apresentam resultados diferentes
De janeiro a outubro, considerando a programação prevista para este mês, o Brasil deve alcançar 107,80 milhões de toneladas de soja exportadas. O volume representa crescimento de 6,2% em relação às 101,48 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
Para o milho, a estimativa acumulada é de 26,34 milhões de toneladas, redução de 11,2% frente às 29,64 milhões de toneladas embarcadas no intervalo correspondente do ano passado.
O farelo de soja também passou por revisão. A previsão para outubro caiu de 2,55 milhões para 2,52 milhões de toneladas. Apesar da redução de 1,4%, o volume ainda representa crescimento de 45,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado dos dez primeiros meses do ano, os embarques de farelo devem atingir 21,83 milhões de toneladas, alta de 14,1%.
A programação de exportações de DDGS, subproduto utilizado principalmente na alimentação animal e produzido nas usinas de etanol de milho, permanece em 49 mil toneladas para outubro. Para o sorgo, a estimativa foi reduzida de 1,52 milhão para 1,47 milhão de toneladas.
Somando soja, milho, farelo de soja, trigo, DDGS e sorgo, os embarques programados para outubro chegam a 17,31 milhões de toneladas, crescimento de 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Programação semanal indica avanço nos embarques
Entre os dias 18 e 24 de outubro, a programação de exportações de soja alcança 1,61 milhão de toneladas, aumento de 30,4% em relação à semana anterior.

Para o milho, estão previstos 1,84 milhão de toneladas, crescimento de 51,2%. O farelo de soja também apresenta avanço, com 699,1 mil toneladas programadas, alta de 70,4%.
Entre os principais portos para o escoamento da soja aparecem Santos (SP), com 480,9 mil toneladas; Paranaguá (PR), com 465,7 mil toneladas; e Rio Grande (RS), com 326 mil toneladas.
No milho, Santos lidera a programação, com 799,5 mil toneladas, seguido por Barcarena (PA), com 412,1 mil toneladas, e Santarém (PA), com 137,8 mil toneladas.
Os portos do Arco Norte, que incluem terminais utilizados no escoamento da produção agrícola de estados como o Tocantins, também aparecem na programação. O terminal de São Luís/Itaqui (MA), por exemplo, tem previsão de embarcar 128,6 mil toneladas de soja na semana analisada.
China permanece como principal destino da soja brasileira
No acumulado de janeiro a setembro, a China respondeu por 70% das exportações brasileiras de soja, mantendo a posição de principal compradora do grão. Espanha aparece na sequência, com 4%, enquanto Tailândia, Turquia e Paquistão representam 3% cada.
No mercado de milho, o Egito lidera as compras, com participação de 25%, seguido por Irã, com 14%, e Vietnã, com 10%.
Para o farelo de soja, a Indonésia concentra 17% das exportações brasileiras, enquanto Holanda e Tailândia respondem por 11% cada.
A Anec ressalta que os números representam estimativas baseadas na programação de embarques e podem sofrer alterações conforme as condições operacionais dos portos e outros fatores logísticos.











