Queda nas arrobas produzidas reduz lucro do confinamento em abril/26, informa Ponta Agro

O custo da arroba produzida disparou 18,76 porcento no Centro-Oeste em abril, enquanto no Sudeste o avanço foi de 6,43 porcento, mostra o ICAP

Queda nas arrobas produzidas reduz lucro do confinamento em abril/26, informa Ponta Agro
Ilustrativa

O confinamento brasileiro encerrou abril de 2026 ainda em um cenário historicamente positivo de margem, mas com perda relevante de rentabilidade frente aos níveis recordes registrados em março, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).

O principal fator do mês não foi o custo diário da alimentação, mas sim a redução das arrobas produzidas pelos animais abatidos em ambas as regiões monitoradas. O custo da arroba produzida disparou 18,76% no Centro-Oeste em abril, enquanto no Sudeste o avanço foi de 6,43%.

No Centro-Oeste, o ICAP fechou abril em R$ 13,36/cab/dia (+0,98% vs março), enquanto o Sudeste registrou R$ 12,03/cab/dia (-1,31%), consolidando o segundo mês consecutivo de custo alimentar inferior ao Centro-Oeste.

Apesar da perda de fôlego, as margens seguem elevadas. O lucro por cabeça foi estimado em R$ 851 no Centro-Oeste e R$ 1.117 no Sudeste no mercado físico.

Pressão não veio da diária, veio das arrobas produzidas

O principal movimento econômico de abril não aconteceu na diária alimentar, mas na produtividade dos animais abatidos. Segundo a Ponta Agro, a redução das arrobas produzidas elevou o custo unitário da produção e reduziu a lucratividade do confinamento nas duas regiões monitoradas.

No Centro-Oeste, as arrobas produzidas por animal caíram de 8,40 para 7,80 arrobas, fazendo o custo da arroba produzida subir 9,75% em apenas um mês – mesmo com o ICAP praticamente estável. O lucro por cabeça recuou cerca de R$ 230 frente a março, calcula a consultoria.

No Sudeste, o movimento foi mais moderado. “A queda das arrobas produzidas foi parcialmente compensada pela redução do custo da dieta, limitando o aumento do custo da arroba produzida a 1,56%. A margem recuou aproximadamente R$ 63 por cabeça no mês no boi físico”. Mesmo com o recuo, a rentabilidade do confinamento segue em patamar historicamente elevado, ressalta a Ponta Agro.

Centro-Oeste

Na análise do trimestre (fev-abr/26), o custo alimentar no Centro-Oeste trouxe alívio nos principais grupos de insumos após a forte pressão observada em março. O custo total da dieta de terminação caiu 1,32%, encerrando o mês em R$ 1.176,30/tonelada de matéria seca (t/MS).

● Volumosos: +5,59%

● Energéticos: +3,86%

● Proteicos: – 1,88%

Entre os energéticos, o milho grão seco segue pressionado e opera 5,0% acima da média trimestral, refletindo o ambiente de transição para a safrinha. Já a casca de soja recuou 6,1% frente à média do trimestre, ajudando a aliviar parcialmente o grupo.

Nos proteicos, o DDG permanece como principal vetor de pressão, operando 20,8% acima da média trimestral. Nos volumosos, bagaço de cana (+11,4%) e capulho de algodão (+16,9%) mantiveram pressão regional mesmo com o recuo da silagem de milho, mostra o ICAP.

Sudeste

Abril consolidou o movimento de redução estrutural dos custos na região Sudeste. O custo total da dieta de terminação recuou 1,72%, fechando o mês em R$ 1.128,56/t MS – segundo mês consecutivo de queda.

● Energéticos: – 6,33%

● Proteicos: – 6,13%

● Volumosos: + 18,92%

A redução dos energéticos foi puxada principalmente pela casca de soja, que opera 10,4% abaixo da média trimestral, enquanto os proteicos seguem em acomodação, com destaque para o DDG (-4,1%) e farelo de amendoim (-6,6%).

Nos volumosos, informa a Ponta Agro, o avanço da safra canavieira elevou o custo do bagaço de cana (+17,8%) e da silagem de cana (+21,4%), mas sem comprometer a trajetória de redução do custo total da dieta regional.P

Dados referentes ao consumo diário dos animais e outros indicadores são apresentados no Boletim ICAP disponível aqui.

Fonte: Ascom Ponta Agro