Gestão, fé e diversificação de atividades, são as lições da Tecnoshow 2026
O sucesso na próxima safra não dependerá apenas da tecnologia embarcada, mas da inteligência administrativa e da coragem de diversificar.
Após uma semana intensa de muitos negócios e conexões, a poeira está baixando em Rio Verde, mas as lições deixadas pela Tecnoshow Comigo 2026 continuam ecoando forte, feito o som de um trator de esteira trabalhando no eito. Quem passou pelos corredores da feira pode conferir o que há de mais moderno em maquinários e insumos, mas a verdadeira mensagem que as lideranças do evento deixam é clara, e vai muito além do que o dinheiro pode comprar. O recado é direto, o futuro do campo, exige um tripé inegociável de gestão profissional, uma fé inabalável para lidar com a “empresa a céu aberto” e a inteligência estratégica da diversificação.

Entrada principal da Tecnoshow Comigo, milhares de visitantes
Não dá mais para tapar o sol com a peneira. O produtor rural brasileiro sabe, na pele, que a margem está cada vez mais apertada. Juros altos, custos de produção que não param de subir, oscilações bruscas no preço das commodities na Bolsa de Chicago e os caprichos do clima transformaram a atividade em um jogo de xadrez de altíssimo risco. A sensação de que o lucro está escapando pelas mãos, mesmo com recordes de produtividade, é um fantasma real que assombra muita gente boa antes de dormir. E é justamente aqui que a Tecnoshow 2026 plantou a semente da mudança de mentalidade.
O que esperar da administração do seu negócio
Muitos ainda associam inovação apenas à compra de drones ou sementes premium, esquecendo que a maior e mais barata tecnologia disponível é o controle. Cláudio Teoro, diretor de insumos e coordenador geral da Tecnoshow Comigo, foi muito pontual ao afirmar que a gestão do risco e a gestão de compra são os motores da próxima geração. Segundo Cláudio, é preciso, de uma vez por todas, assumir o papel de CEO da própria fazenda. E não estamos falando de planilhas complexas que ninguém entende, não, estamos falando da atenção aos detalhes que estancam o ralo do dinheiro.

Cláudio Teoro, Diretor de insumos e coordenador geral da Tecnoshow Comigo
“Tem um fator que eu acho que mais do que nunca o produtor vai ter que exercer, que se chama gestão. Gestão do negócio dele, gestão de risco, gestão de compra, custo de produção“. Essa frase, dita na coletiva, resume o novo mandamento do campo. Aplicar um defensivo no horário errado por pura falta de manejo ou negligenciar a qualidade da água dos animais são exemplos claros de desperdício de tecnologia que custam caro na hora de fechar o balanço. Uma gestão rigorosa permite que o produtor tenha liquidez e força para negociar insumos no momento certo, e não apenas quando a necessidade aperta.

Fé – A força que move a lavoura a céu aberto
Mas o agronegócio não é feito só de números frios; é feito de gente, de suor e, acima de tudo, de uma resiliência que poucos setores possuem. Conviver com a imprevisibilidade do clima, seja um atraso no plantio da segunda safra ou uma seca inesperada, exige uma postura que mistura pragmatismo com otimismo sustentado. Diante de tantas crises globais e flutuações de mercado que não controlamos, o setor se apega ao seu histórico de superação contínua. Essa capacidade de levantar a cabeça e seguir em frente é o que mantém a roda girando. “Apesar do momento em que nós estamos, eu sou bastante otimista, né? Não é a primeira crise, acho que nem vai ser a última. E tô bastante otimista que vamos superar essa também“, complementa o coordenador da feira.
Esse olhar positivo está intimamente ligado a um fator extremamente humano e inspirador: A fé inabalável de quem vive da terra. O trabalho no campo lida diariamente com as forças da natureza, e saber conviver com essa incerteza é uma das maiores virtudes do agricultor brasileiro. Como foi lindamente resumido por Dourivan Cruvinel, presidente executivo da Comigo: “O produtor ele tem uma empresa a céu aberto, não tem telhado, mas ele tem fé e essa fé nos ajuda“. Essa fé não é passiva, ela é o motor que impulsiona o produtor a plantar, mesmo sabendo dos riscos.

Dourivan Cruvinel, Presidente executivo da Comigo
O caminho seguro para proteger sua renda
Do ponto de vista estratégico, a Tecnoshow 2026 bateu na tecla da diversificação como a melhor proteção contra as instabilidades de mercado. Apostar todas as fichas apenas na soja ou apenas no eucalipto é assumir um risco desnecessário que pode custar a sustentabilidade do negócio a longo prazo. O caminho natural para o agricultor é olhar com bastante atenção para a pecuária, criando um sistema integrado que gera receita o ano todo e dilui os riscos. A integração de atividades desponta como o modelo inteligente de negócio.
Para entender na prática como isso tem total fundamento, basta olhar para o que o mercado está ditando agora, nesse início de abril. Enquanto a saca de soja vem enfrentando uma pressão de baixa, oscilando ali na casa dos R$ 110,00 a R$ 115,00 nas principais praças do Centro-Oeste, um valor que deixa a margem do agricultor “no fio da navalha” devido aos custos de produção elevados, a pecuária vive um momento de retomada de fôlego que salta aos olhos. A arroba do boi gordo em São Paulo já rompeu a barreira dos R$ 365,00, mostrando uma valorização que traz um alento real para o pecuarista, e principalmente para quem diversificou.

Vicente Delgado – Agronews
Na prática, isso significa que a relação de troca está muito mais favorável para o pasto do que para o grão neste momento. Hoje, você precisa de quase três sacas e meia de soja para comprar uma única arroba, um descompasso que reforça o conselho dado na Tecnoshow: não dá para carregar todos os ovos em uma cesta só. Quem tem o boi para segurar as pontas quando a soja cai, consegue manter o fôlego financeiro da fazenda sem precisar queimar caixa ou se endividar com juros de custeio.
E essa transição é um passo seguro, garantem os líderes da Comigo. Já existem novas ferramentas e subprodutos disponíveis na região, como o DDG vindo das usinas de etanol, que barateiam o custo da ração e viabilizam o trato animal. “Eu tenho comigo que a melhor coisa que um produtor pode fazer é diversificar a renda […] O agricultor deve virar a chave para ser ao mesmo tempo agricultor e pecuarista, não tem dificuldade nenhuma nisso“, completa Cláudio Teoro.
A diversificação não é apenas uma estratégia financeira, é uma forma de garantir que, se um mercado cair, o outro segura a estrutura. Pense nisso!
Agronews








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