Rumo inaugura primeiro trecho da Ferrovia Estadual de Mato Grosso
Obra amplia o escoamento de grãos em Mato Grosso; Alckmin defendeu o avanço do etanol de milho durante a entrega
O Governo de Mato Grosso e a Rumo inauguraram, neste sábado (20), o primeiro trecho da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT).
Com 162 quilômetros de extensão, a etapa liga Rondonópolis ao novo terminal ferroviário instalado próximo à BR-070, em Dom Aquino, e recebeu mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados.
A entrega contou com a participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro dos Transportes, George Santoro. Integrado ao Novo PAC, o empreendimento amplia a conexão das regiões produtoras de Mato Grosso com a malha ferroviária nacional e o Porto de Santos.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou a primeira fase com R$ 2 bilhões. Os recursos também foram viabilizados por meio de financiamento da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). A inauguração ocorreu antes do prazo inicialmente previsto, que era o segundo semestre deste ano.
O novo terminal terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. As operações começam em fase de comissionamento, com testes operacionais e operações assistidas nos próximos meses.
Investimento
Ao discursar na solenidade, Alckmin afirmou que a expansão ferroviária é decisiva para reduzir custos, aumentar a competitividade e sustentar o crescimento econômico do país.
“Vamos precisar de muita ferrovia para transportar o desenvolvimento do Brasil. A ferrovia é só 20% da matriz de transporte do Brasil. A nossa meta é chegar a 35%”, ressaltou.
A etapa entregue integra a FMT, projeto que prevê mais de 743 quilômetros entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, com ramal para Cuiabá. O traçado passa por 16 municípios mato-grossenses. “Esta é a maior obra ferroviária privada do país”, destacou o vice-presidente.
O vice-presidente e as demais autoridades chegaram ao terminal pela própria ferrovia, a bordo de uma locomotiva da Rumo, empresa responsável pelo projeto.
A obra amplia a capacidade de um dos principais corredores logísticos do agronegócio brasileiro e aproxima os trilhos das áreas de produção de Mato Grosso. Para Alckmin, o avanço ferroviário é essencial para o escoamento da produção nacional.
“O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E, para chegar aos portos, precisamos de ferrovia”, afirmou.
O vice-presidente lembrou que o Brasil registrou recorde de exportações em 2025, com US$ 349 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões foram do agronegócio. “Com melhor logística, vai melhorar a nossa competitividade”, disse.
Durante a cerimônia, Alckmin também afirmou que o governo federal trabalha para ampliar os instrumentos de apoio ao setor ferroviário. Segundo ele, locomotivas já podem ser financiadas com recursos do Fundo Clima, enquanto a inclusão dos trilhos está em estudo para estimular novos investimentos na expansão da malha.

“Não há nada mais ambientalmente correto do que ferrovia. Reduz emissão de carbono, diminui acidentes, reduz Custo Brasil, melhora a competitividade e o país cresce mais, gera mais emprego e mais renda”, afirmou o vice-presidente.
Etanol
Além da expansão ferroviária, Alckmin citou medidas voltadas ao fortalecimento da agroindústria e da produção de biocombustíveis. Ao mencionar a cadeia do milho em Mato Grosso, o vice-presidente afirmou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve elevar, na próxima quarta-feira, a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%.
“Com isso, ajuda a gasolina a ficar mais barata, emite menos, polui menos o meio ambiente e estimula a agricultura e a agroindústria, que vai fazer etanol combustível e vai fazer DDG para ração animal”, disse.
Alckmin também mencionou linhas de crédito do Move Brasil destinadas à modernização do agronegócio e à renovação da frota de caminhões e ônibus, em um contexto no qual o transporte rodoviário segue responsável por levar os grãos das propriedades e armazéns aos terminais ferroviários.













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