Dados históricos apontam valorização do boi gordo no período final de março
Preços da arroba encerram a semana com estabilidade nas principais praças brasileira; em SP, macho terminado segue firme ao redor de R$ 350/@, informam consultorias
Encerrada a semana (20/3), os agentes do mercado pecuário brasileiro miram as atenções para o comportamento da arroba do boi gordo no curtíssimo prazo, ou seja, durante o período final de março/26.
Os fundamentos atuais do mercado, além dos dados históricos, indicam um caminho positivo para os preços dos lotes terminados no Brasil, apesar das turbulências internacionais, apostam os analistas.
“No curto prazo, embora o viés de baixa ainda não esteja totalmente descartado, não esperamos que haja espaço para quedas bruscas, ao menos no mercado físico”, acredita o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria.
Do lado de dentro das porteiras, o clima, na maior parte do Brasil, está favorável ao pecuarista, com boa condição para as pastagens, um reflexo das chuvas generosas registradas nos últimos meses.
Dessa maneira, o produtor segue retendo a boiada no campo, com vendas cadenciadas dos lotes, o que lhe permite um maior poder de negociação com os frigoríficos.
“Ao longo de março, a limitação de oferta segue como principal fator de sustentação das cotações do boi gordo, com registros pontuais de negócios acima da média, refletindo um ambiente de maior competição pela matéria-prima”, ressaltam os analistas da Agrifatto, consultoria que identificou, nesta sexta-feira (20/3), estabilidade nos preços da arroba nas 17 praças monitoradas diariamente.
Com isso, pelos dados da empresa, a arroba fechou a semana valendo R$ 350 em São Paulo (no prazo).
No entanto, destaca a Agrifatto, nos dias finais desta semana, circularam no mercado indicações de valores entre R$ 355/@ e R$ 360/@, mas sem registros efetivos de negócios.
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De olho nos dados históricos
Segundo levantamento de Felipe Fabbri, da Scot, o histórico de preços do boi gordo para o fim de março é favorável ao pecuarista.
Entre 2019 e 2025, em cinco de sete oportunidades, os preços subiram entre 19/3 e o final do mês, em São Paulo. Na pior oportunidade – em março de 2023 –, a arroba recuou, no máximo, 3,6% durante o período analisado, relembra Fabbri.
“Se o pior cenário se repetir, a cotação, na praça paulista, considerando a referência atual de R$ 347/@ para o mercado interno paulista, fechará março/26 em R$ 334/@”, projeta Fabbri.
O analista Raphael Galo, colunista fixo do informativo semanal Boi & Companhia, analisou o comportamento histórico de preços do boi gordo paulista entre 16 a 31 de março dos últimos 10 anos.

Segundo ele, considerando a base acima, houve variação média de +0,8%, com a maior alta anual registrada em 2023, de 7,2%.
“Quando o boi gordo entra na segunda quinzena de março já acima de R$ 300/@ (como em 2021 e 2025, excluindo o atípico 2022 de correção), a média de ganho sobe para 2,6% e a volatilidade diminui bastante”, observa Galo, ainda repercutindo o seu levantamento histórico.
Na avaliação do analista, o mercado do boi passa por igual cenário agora. “Preço recorde para março, oferta controlada no Centro-Oeste, demanda exportadora firme e reposição cara”, diz Galo, que reforça: “O ciclo de alta iniciado em 2024 continua sem sinais claros de reversão – pelo contrário, ganha força a cada quinzena”.
No entendimento do analista Galo, não é momento de “segurar boi” esperando explosão de preços; “é hora de proteger a margem”.
Alguns alertas
Apesar do clima de otimismo no mercado pecuário, há alguns pontos que merecem atenção, observa Fabbri, da Scot.
“O conflito no Oriente Médio, somado ao fechamento do Estreito de Ormuz e aos impactos no preço dos combustíveis no Brasil e no mundo, pode elevar custos e desacelerar a demanda exportadora”, observa o analista.
No entanto, continua ele, em um cenário de menor oferta global de carne bovina, “é pouco provável que as compras de carne brasileira desacelerem”.
Além disso, diz Fabbri, a possibilidade de greve dos caminhoneiros no Brasil também pode pressionar o mercado. “Apesar destes fatores que podem colocar mais força na mão do comprador, há, em nossa visão, mais fundamentos de sustentação para o curto prazo”, ressalta Fabbri.
Embarques aquecidos
Quanto à exportação, janeiro/26 e fevereiro/26 foram recordes mensais. Em março/26, destaca Fabbri, o bom desempenho continua, mas o ritmo desacelerou na segunda semana do mês em relação à primeira.
Com isso, a exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana deste mês, atingiu 11,5 mil toneladas/dia, volume 2,1% maior em relação à média de março de 2025, ano de melhor desempenho para este mês.
Na parcial de março/26, os embarques somam 115,6 mil toneladas. O preço por tonelada, em dólares, na comparação anual, está 17,6% maior, o que elevou o faturamento do setor em 20,1% na comparação anual.








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