Preço do milho segue em queda no Brasil com dólar mais baixo e compradores retraídos
Produção recorde, redução da demanda e ritmo mais lento das exportações pressionam as cotações; produtores demonstram maior flexibilidade nas negociações.
Os preços do milho continuam em queda no mercado brasileiro, pressionados pela desvalorização do dólar frente ao real, pela menor participação de compradores e pelo enfraquecimento das exportações. O movimento ocorre em um período de oferta elevada do grão, após a produção recorde registrada na safra 2025/26.
Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a redução das cotações internacionais também contribui para a baixa dos preços no Brasil, ao diminuir a paridade de exportação, referência utilizada para avaliar a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Com o dólar mais baixo, os valores recebidos pelos exportadores em reais tendem a diminuir, reduzindo a atratividade das vendas internacionais. Esse movimento, combinado à disponibilidade de milho no mercado interno, amplia a pressão sobre as cotações domésticas.
Compradores aguardam novas quedas
De acordo com pesquisadores do Cepea, a menor movimentação nas exportações e o bom andamento do plantio da safra de verão, tanto de soja quanto de milho, têm levado compradores a adotar uma postura mais cautelosa nas negociações.
Parte desses agentes espera que os preços recuem ainda mais no curto prazo, o que tem limitado a demanda imediata pelo cereal.

Apesar da retração, alguns compradores já buscam fechar negócios com entrega prevista para os próximos meses. A estratégia é manter os estoques em níveis considerados confortáveis, aproveitando as condições atuais do mercado.
Produtores flexibilizam negociações
Do lado da oferta, os agricultores estão concentrados nas atividades de campo, especialmente no planejamento e na implantação da nova safra. Mesmo com essa prioridade, o Cepea observa maior flexibilidade entre os vendedores.
As negociações têm apresentado abertura para ajustes nos preços, nos prazos de pagamento e nas datas de entrega, conforme as necessidades dos produtores e as condições oferecidas pelos compradores.
No Tocantins, onde o plantio da soja da safra 2026/27 está autorizado desde 1º de outubro, o comportamento do mercado nacional do milho também merece atenção dos agricultores que planejam a segunda safra.
O milho está entre as culturas utilizadas após a colheita da soja no estado, e as expectativas de preços podem influenciar as decisões sobre comercialização e planejamento da produção.
O levantamento do Cepea não apresenta cotações específicas para o Tocantins, mas indica que o mercado brasileiro permanece pressionado pela combinação de oferta elevada, dólar em queda e demanda enfraquecida.
A expectativa de novas reduções nos preços mantém os compradores cautelosos, enquanto os produtores avaliam as condições de venda em meio ao avanço das atividades agrícolas da temporada 2026/27.











