Arroz chega a R$ 82,85 e mercado reduz ritmo de alta

Compras mais lentas e avanço da nova safra influenciam as negociações

Arroz chega a R$ 82,85 e mercado reduz ritmo de alta
ilustrativa

Os preços do arroz mantiveram trajetória de recuperação entre setembro e outubro, mas o mercado apresentou sinais de acomodação diante da redução do ritmo de compras. A cotação da saca de 50 quilos passou de R$ 79,44, em 10 de setembro, para R$ 82,85, em 9 de outubro, enquanto produtores e compradores adotaram posições mais cautelosas nas negociações.

De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, a valorização perdeu intensidade após a recuperação observada nos meses anteriores. A resistência dos produtores em ampliar as vendas ajudou a restringir a disponibilidade de produto, enquanto a demanda passou a atuar de maneira mais seletiva. A indústria reduziu a intensidade das aquisições, concentrando as operações em reposições pontuais. No varejo, parte dos estoques havia sido formada durante o período de alta, diminuindo a necessidade de novas compras imediatas e limitando o espaço para valorizações mais expressivas.

O desempenho das exportações contribuiu para sustentar o mercado brasileiro. Entre março e setembro, os embarques de arroz totalizaram 1,15 milhão de toneladas em base casca, crescimento de 23,2% em relação ao mesmo período de 2025. O volume exportado colaborou para reduzir a disponibilidade da produção no mercado doméstico.

Apesar do resultado acumulado positivo, o comércio exterior apresentou mudanças em setembro. As importações superaram as exportações naquele mês, enquanto a valorização do real e as oscilações das cotações internacionais reduziram parte da competitividade do arroz brasileiro.

As atenções também se voltam para a implantação da safra 2026/27. Segundo os dados apresentados pelo Itaú BBA, o plantio havia alcançado 23,6% da área nacional prevista. O andamento dos trabalhos apresenta diferenças importantes entre as regiões produtoras.

No Rio Grande do Sul, as chuvas intensas interromperam a semeadura em grande parte das áreas. Em Santa Catarina, algumas regiões se aproximavam da conclusão do plantio. No Paraná, os trabalhos superavam 70% da área, com lavouras em boas condições. No Maranhão, a implantação do arroz irrigado estava em fase final.

A recuperação das cotações poderá influenciar a decisão dos produtores sobre a área destinada à cultura. Segundo o boletim, a melhora dos preços pode limitar uma redução mais intensa da superfície cultivada do que a anteriormente esperada. A definição da área e as condições climáticas serão fatores importantes para a produção da nova temporada.

Outro ponto de atenção é o escoamento da safra atual. O mercado ainda precisa absorver volumes relevantes antes da entrada da próxima produção. Nesse contexto, a valorização do real e os preços domésticos mais elevados podem aumentar a atratividade das importações provenientes dos países do Mercosul. Para os próximos meses, a avaliação do Itaú BBA indica uma perspectiva de sustentação das cotações diante da possibilidade de menor oferta em 2026/27. Entretanto, o ritmo de comercialização da produção atual e as condições de implantação da nova safra deverão continuar influenciando os preços.