Oferta restrita mantém preços do boi em alta

Menor disponibilidade de animais sustenta arroba

Oferta restrita mantém preços do boi em alta
ilustrativa

O preço do boi gordo apresentou recuperação expressiva entre o final de agosto e o início de outubro, sustentado pela menor oferta de animais disponíveis para abate. Em São Paulo, a arroba acumulou valorização de 9,3% no período, chegando a aproximadamente R$ 376 no mercado físico em 9 de outubro, conforme análise da Consultoria Agro do Itaú BBA.

A recuperação ocorreu apesar da forte redução das compras chinesas de carne bovina brasileira. A disponibilidade mais limitada de animais contribuiu para fortalecer as negociações, enquanto os frigoríficos ampliaram a demanda para formação de estoques destinados às exportações dos últimos meses do ano. Em setembro, os embarques brasileiros de carne bovina in natura somaram 195 mil toneladas, volume 38% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. A China respondeu por apenas 16 mil toneladas, refletindo a retração das aquisições do principal mercado importador.

Outros destinos apresentaram desempenho positivo. As exportações para os Estados Unidos chegaram a 44 mil toneladas, ante 8 mil toneladas em setembro do ano anterior. Chile, México e Rússia também contribuíram para o escoamento da produção brasileira.

O preço médio da carne bovina exportada apresentou aumento de 1,9% em setembro, na comparação com agosto. A recuperação ocorreu após a acomodação observada desde julho e ajudou a compensar parcialmente os efeitos da valorização do boi gordo sobre os resultados da indústria frigorífica.

No mercado doméstico, entretanto, a relação entre os preços da carne no atacado e do animal terminado tornou-se menos favorável para os frigoríficos. O spread da atividade recuou de 5,5% em agosto para 4,5% em setembro e atingiu 2,1% na parcial de outubro até o dia 9.

A valorização do mercado físico também se refletiu nos contratos futuros. Os vencimentos a partir de novembro passaram a se aproximar de R$ 400 por arroba, acompanhando as expectativas de oferta restrita e melhora da demanda no último trimestre.

Segundo a avaliação do Itaú BBA, a combinação de disponibilidade mais ajustada de animais, expectativa de retomada das compras chinesas e sazonalidade favorável ao consumo doméstico representa um cenário de sustentação para os preços. A consultoria destaca, contudo, que as cotações elevadas também tornam relevante a gestão dos riscos de comercialização.

Entre os fatores capazes de limitar novas valorizações estão o preço da arroba brasileira, próximo de US$ 75, os valores elevados da carne no mercado internacional e o poder de compra do consumidor doméstico. O comportamento do câmbio também poderá influenciar a competitividade das exportações.

Para os próximos ciclos pecuários, o encarecimento dos animais de reposição aparece como outro fator de atenção. A análise indica que a valorização da reposição poderá exigir preços mais elevados do boi terminado para preservar as margens econômicas da atividade.