Reviravolta no tarifaço de Trump muda o jogo para o agro do Brasil; entenda
Queda nas tarifas melhora competitividade e reposiciona o Brasil no comércio com os Estados Unidos
Um estudo do Global Trade Alert, entidade que monitora políticas de comércio internacional, aponta que o Brasil é o maior beneficiário comercial após as mudanças recentes na política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o levantamento, a tarifa média efetiva aplicada atualmente aos bens brasileiros caiu de cerca de 26,3% para 12,8% após as reconfigurações anunciadas nos últimos dias.
O percentual é inferior ao enfrentado por muitos outros parceiros comerciais dos Estados Unidos e coloca o Brasil em posição relativamente mais vantajosa frente a países europeus e asiáticos, que passaram a pagar taxas médias mais elevadas.
Na prática, a maior parte dos produtos brasileiros passa a enfrentar uma tarifa inicial de 10%, com exceção de itens como aço e alumínio, que continuam sujeitos à alíquota de 50%, somada à tarifa global. A nova configuração entra em vigor nesta terça-feira (24).
De modo geral, analistas seguem a mesma linha e avaliam que o Brasil e, em especial, o agronegócio brasileiro, saem favorecidos no arranjo atual.
Cronologia
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que grande parte do pacote de tarifas aplicado a mais de 180 países era ilegal, uma vez que a medida dependeria de aprovação do Congresso norte-americano, o que não ocorreu.
Em seguida, Trump anunciou uma tarifa recíproca de 10% para todos os países com relação comercial com os Estados Unidos.
Posteriormente, afirmou que elevaria a alíquota para 15%, com base na seção 122 da lei de 1974, dispositivo nunca utilizado por outro presidente e com prazo de validade de 150 dias. Após esse período, a medida precisa ser submetida ao Congresso para continuar em vigor. O decreto presidencial que eleva a tarifa de 10% para 15% ainda não foi publicado.
O resultado prático é que o Brasil ganhou fôlego: no auge da escalada tarifária, as taxas sobre produtos brasileiros chegaram a 50%. Agora, vigora uma tarifa global uniforme de 10% sobre as importações, com exceções já previstas para alguns produtos agrícolas brasileiros beneficiados anteriormente.
A mudança não significa que o Brasil esteja livre das barreiras tarifárias nos Estados Unidos, mas reduz de forma significativa o peso que recaía sobre os produtos nacionais.
Alguns itens agrícolas de grande relevância na pauta de exportações seguem isentos da sobretaxa global, como carne bovina, suco de laranja, café e celulose, o que contribui para manter a competitividade brasileira naquele mercado.
Com a palavra, as autoridades brasileiras
Autoridades brasileiras reagiram com otimismo moderado. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o novo regime abre uma avenida para melhores condições de comércio entre os dois países.
Segundo ele, mesmo diante das tarifas, o Brasil preserva competitividade, já que a alíquota é uniforme e inferior aos níveis anteriores.
Representantes do agronegócio também avaliam que a redução das tarifas tende a aliviar um ambiente que, no último ano, prejudicou parte das vendas brasileiras aos Estados Unidos.
Produtos como café instantâneo e frutas frescas, que registraram perdas expressivas de mercado em 2025, podem agora recuperar espaço.

Apesar do alívio, o novo cenário não elimina os desafios. Medidas adicionais, como tarifas específicas impostas com base em outras legislações americanas, permanecem em vigor e podem afetar setores como aço, alumínio e alguns segmentos industriais.
Além disso, a tarifa global, hoje em 10% e com possibilidade de elevação para 15%, tem caráter temporário e depende de revisão pelo Congresso dos Estados Unidos, o que adiciona incerteza aos próximos desdobramentos.
O que vem pela frente
A atenção agora se volta para a agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Está prevista para março uma visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, quando devem ser discutidas não apenas as tarifas, mas também temas mais amplos de cooperação econômica.
O encontro pode abrir espaço para o fortalecimento de acordos que garantam maior previsibilidade e competitividade ao agronegócio brasileiro no mercado norte-americano, não apenas em 2026, mas nos anos seguintes.








Comentários (0)
Comentários do Facebook