Uma arroba já paga mais de 30 dias de cocho nos confinamentos do Sudeste, calcula ICAP/Ponta Agro

Resultado combina a maior cotação da arroba da série no Sudeste, de R$ 356,00 (+4,40porcento), com o ICAP praticamente estável, em R$ 11,57 por cabeça/dia (+0,26porcento).

Uma arroba já paga mais de 30 dias de cocho nos confinamentos do Sudeste, calcula ICAP/Ponta Agro
ilustrativa

Em setembro de 2026, a valorização do boi gordo combinada à estabilidade do custo alimentar levou a Relação de Troca ICAP/Boi Gordo a um novo recorde no Sudeste.

Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), uma arroba passou a pagar 30,77 dias de cocho, primeira vez que o indicador supera a marca de 30 dias na região.

O resultado combina a maior cotação da arroba da série no Sudeste, de R$ 356,00 (+4,40%), com o ICAP praticamente estável, em R$ 11,57 por cabeça/dia (+0,26%).

No Centro-Oeste, o movimento foi inverso.  Segundo a consultoria, o ICAP subiu 6,64%, para R$ 12,68 por cabeça/dia, maior alta mensal desde março. A dieta de terminação avançou 6,46%, para R$ 1.088,66/ton MS, interrompendo uma sequência de cinco recuos. O consumo de matéria seca também avançou pelo sexto mês consecutivo, chegando a 10,02 kg/dia.

Mesmo com a alta, o ICAP permanece praticamente no mesmo nível de setembro de 2025 (+0,24%).

A diferença de custo alimentar entre as regiões voltou a aumentar. Depois de cair para apenas R$ 0,35 por cabeça/dia em agosto, chegou a R$ 1,11 em setembro, mantendo o Sudeste com menor ICAP pelo sétimo mês consecutivo.

Na lucratividade da arroba produzida, a distância foi ainda maior: o Sudeste avançou 3,98%, para R$ 1.210,21 por cabeça, enquanto o Centro-Oeste recuou 7,77%, para R$ 906,75. Com isso, a vantagem do Sudeste chegou a R$ 303,46 por cabeça, a maior de 2026.

Visão trimestral dos insumos por Região

No Centro-Oeste, os custos dos insumos apresentaram movimentos distintos em setembro na comparação com a referência junho–agosto. Os proteicos exerceram a principal pressão de baixa, enquanto os volumosos e a categoria Outros ficaram acima da média recente.

  • Energéticos: +0,66%
  • Proteicos: -18,51%
  • Volumosos: +27,67%
  • Outros: +15,66%

Entre os proteicos, DDG (R$ 937,95/t), caroço de algodão (R$ 942,40/ton) e farelo de algodão (R$ 796,90/t) atingiram os menores valores do ano, contribuindo para que a categoria encerrasse setembro 18,51% abaixo da referência junho–agosto.

Nos energéticos, o custo permaneceu próximo da média (+0,66%), com o milho grão seco voltando a subir após atingir o piso da safrinha em julho.

Os volumosos exerceram a principal pressão de alta, encerrando setembro 27,67% acima da referência junho–agosto.

Alterações na composição das dietas, nos teores de matéria seca ou na amostra podem contribuir para esse movimento, mas seus efeitos não podem ser isolados nos dados agregados.

No Sudeste, todas as categorias de insumos encerraram setembro abaixo da referência junho–agosto, com maior redução na categoria Outros, seguida por volumosos e proteicos.

A combinação ajudou a manter o custo da dieta de terminação em patamar reduzido na região.

  • Energéticos: -1,72%
  • Proteicos: -4,99%
  • Volumosos: -5,84%
  • Outros: -12,67%

Nos volumosos, o custo ficou 5,84% abaixo da referência junho–agosto. O bagaço de cana — volumoso com maior número de clientes na amostra de setembro — ficou 8,8% abaixo da referência, enquanto a silagem de milho recuou 24,0%, atingindo o menor valor do ano.

Entre os proteicos, a redução foi de 4,99%, puxada pelo caroço de algodão, que ficou 15,7% abaixo da referência junho–agosto e atingiu o menor valor do ano em setembro.

Nos energéticos, a queda foi mais moderada, de 1,72%, com o milho grão seco praticamente estável (-0,9% frente à referência).

Fonte: Ascom Ponta Agro